Boom da IA desafia o Fed: juros altos podem sufocar pequenas empresas e famílias
O avanço desenfreado da inteligência artificial pressiona a inflação nos EUA, forçando o Federal Reserve a considerar novos aumentos de juros que ameaçam setores mais vulneráveis da economia.

Foto: Prédio do Federal Reserve, o banco central dos EUA, em Washington Crédito: REUTERS/Elizabeth Frantz · Original e licença
O frenesi em torno da inteligência artificial tornou-se uma dor de cabeça para o Federal Reserve (Fed). Enquanto gigantes como Amazon, Apple e Anthropic seguem investindo bilhões — com previsão de movimentar US$ 1 trilhão no próximo ano, cerca de 3% do PIB americano —, o banco central dos EUA enfrenta o desafio de conter a inflação sem travar o restante da economia.
Autoridades do Fed admitem que a política de juros altos tem um impacto desigual. Como as empresas de IA parecem imunes ao custo do crédito, o peso das taxas elevadas recai sobre quem mais precisa de empréstimos: pequenas e médias empresas e famílias endividadas. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defendeu recentemente a necessidade de moderar o crescimento para evitar pressões inflacionárias, embora garanta que o objetivo não seja impedir a expansão econômica.
O cenário é de incerteza para a reunião do Fed marcada para os dias 27 e 28 de outubro, onde a expectativa é de manutenção das taxas entre 3,75% e 4,00%, com debates sobre novos aumentos. O presidente do Fed, Kevin Warsh, classificou os investimentos em IA como um "choque" para os preços e a demanda, reconhecendo a complexidade da situação atual.
Especialistas alertam para os riscos dessa estratégia. Charles Evans, ex-presidente do Fed de Chicago, criticou a falta de clareza sobre como o banco central pretende reduzir a inflação sem prejudicar o mercado de trabalho, que tem mantido uma taxa de desemprego estável entre 4,0% e 4,3%. Para analistas como Juhi Dhawan, da Wellington Management, o caminho para a meta de 2% de inflação é estreito e depende de uma desaceleração forçada em setores que não estão ligados ao boom tecnológico.
Fonte: Brasil 247

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