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PF investiga esquema de vazamento de decisões do STJ para advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Operação Linceu apura o compartilhamento de minutas sigilosas e pareceres do STJ com o advogado Willer Tomaz, em meio a disputas empresariais bilionárias.

Foto: O advogado Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução · Original e licença

A Polícia Federal deflagrou uma ofensiva para desarticular um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo apuração da jornalista Natália Portinari, do UOL, Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação da corte, é suspeito de antecipar minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz, conhecido por sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A investigação, batizada de Operação Linceu, apura crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção e lavagem de dinheiro. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de mandados de busca contra Pradera nesta segunda-feira (19). O servidor foi exonerado do cargo de confiança na última sexta-feira (16), após o presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, instaurar um procedimento interno para apurar as irregularidades.

O foco central dos investigadores é a disputa pelo controle da Eldorado Celulose. Relatórios da PF apontam que Pradera enviou a Willer Tomaz, em outubro de 2024, uma foto de uma decisão da ministra Nancy Andrighi quatro dias antes de sua assinatura e seis dias antes da publicação oficial. O documento favorecia a empresa Paper Excellence em detrimento da J&F.

Além do vazamento, a PF aponta indícios de movimentações financeiras suspeitas. Mensagens interceptadas sugerem que a atuação de Willer Tomaz estaria ligada a um pagamento de R$ 12,3 milhões para a Difusora Comunicação, empresa vinculada ao advogado. Os diálogos indicam que o valor seria justificado como "campanha de mídia", com menções a pagamentos via offshore para garantir, segundo os interlocutores, que "a blindagem fica total".

Willer Tomaz, que já foi alvo de outras operações policiais, negou categoricamente ter obtido acesso irregular a documentos sigilosos ou interferido em manifestações do Ministério Público Federal. O STJ informou que, por se tratar de medidas criminais sob sigilo, não comentará o caso.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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