Meta vira as costas para jornalistas e nega canal de emergência contra ataques digitais
A empresa de Mark Zuckerberg recusou proposta do governo brasileiro para criar um canal rápido de atendimento a jornalistas vítimas de censura e ataques nas redes.

Foto: Sede da Meta. Foto: Reprodução · Original e licença
A Meta, gigante de tecnologia responsável pelo Instagram e Facebook, recusou uma proposta do governo brasileiro para a criação de um canal institucional de emergência destinado a atender jornalistas e veículos de comunicação sob ataque. A iniciativa, articulada pelo Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, visava garantir suporte rápido em casos de suspensões injustificadas, assédio e ameaças digitais.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Leonardo Sakamoto, em sua coluna no UOL, a recusa foi formalizada pela empresa no último dia 16. A Meta justificou a negativa alegando "complexidade técnica, jurídica e operacional", argumentando que suas políticas de moderação devem ser aplicadas de forma igualitária a todos os usuários, sem distinções. Para questões eleitorais, a companhia orientou que os profissionais busquem os fluxos já estabelecidos com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O pedido do Observatório surgiu após uma série de episódios preocupantes, incluindo a suspensão sem justificativa de 24 perfis jornalísticos, como o "Mentira Tem Preço" e o "Tapajós de Fato". Dados da Coalizão em Defesa do Jornalismo revelam a gravidade do cenário: foram contabilizados 14.182 ataques digitais contra profissionais da imprensa durante o período eleitoral, com um aumento de 74% na média diária na reta final do primeiro turno.
Em nota conjunta, representantes do Ministério da Justiça e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República criticaram a postura da empresa. Para o governo, a proteção aos jornalistas no ambiente digital deve ser permanente e específica, não podendo ficar restrita ao calendário eleitoral. Bia Barbosa, coordenadora do grupo de trabalho do Observatório, reforçou que a omissão da Meta prejudica o acesso da sociedade à informação e, consequentemente, a própria democracia brasileira.
O debate ganha contornos críticos ao considerar que 72% dos brasileiros com 16 anos ou mais utilizam as redes sociais como fonte diária de informação, conforme dados do Painel TIC - Integridade da Informação, do NIC.br. Enquanto a empresa alega dificuldades operacionais para proteger comunicadores, críticos apontam que a plataforma possui tecnologia avançada para monitorar comportamentos de consumo em milissegundos, evidenciando uma escolha de prioridades que ignora a segurança de quem exerce o papel fundamental de informar a população.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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