PF mira rede de lavagem de dinheiro via apostas que envolve Flávio Bolsonaro, Castro e Ramagem
Investigação da Polícia Federal aponta esquema de lavagem de dinheiro através de bets, com suspeitas de tráfico de influência e vazamento de dados no STJ.

Foto: - Flávio Bolsonaro - Foto: Daniel Ramalho/AFP · Original e licença
Uma investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), revelou uma engrenagem financeira que utilizaria plataformas de apostas esportivas, as chamadas "bets", para a dissimulação de capitais. O inquérito coloca sob suspeita figuras de peso da política nacional, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influente advogado Willer Tomaz.
Segundo a apuração, que teve origem em diligências no Rio Grande do Sul, o advogado Willer Tomaz seria o controlador oculto da Rede Loto, empresa pioneira no credenciamento junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). A PF aponta que a relação entre o advogado e gestores da autarquia fluminense teria facilitado arranjos contratuais e regulatórios, permitindo a injeção de recursos de origem duvidosa no sistema de apostas. Documentos indicariam, inclusive, o custeio de despesas pessoais de ex-dirigentes da Loterj por estruturas ligadas a Tomaz.
O esquema também teria ramificações na esfera eleitoral. Agentes federais rastrearam um repasse de R$ 270 mil, realizado via empresa intermediária, que teria sido destinado à pré-campanha de Alexandre Ramagem à Prefeitura do Rio em 2024. Paralelamente, a PF identificou um canal clandestino no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-secretário de TI da Corte, Humberto Pradera, é investigado por fornecer minutas de decisões e pareceres sigilosos ao escritório de Willer Tomaz antes da publicação oficial, garantindo vantagens processuais aos clientes do advogado.
Em nota, Flávio Bolsonaro negou as acusações, classificando-as como "fake news" e sustentando que sua relação com Tomaz é estritamente de amizade pessoal. O ex-governador Cláudio Castro também refutou irregularidades, afirmando que sua proximidade com o advogado se limitou à defesa jurídica gratuita em casos pontuais e que desconhecia vínculos entre o defensor e as empresas citadas no inquérito.
Fonte: Revista Fórum

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