Política

Bispos católicos rompem o silêncio e alertam contra candidatura de Flávio Bolsonaro

Manifesto assinado por 45 bispos aponta riscos à democracia e convoca fiéis ao voto consciente no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Em um movimento de forte impacto na reta final da disputa eleitoral, um grupo de 45 bispos católicos divulgou, nesta quinta-feira (22), um manifesto contundente contra a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O documento, articulado pelo movimento Bispos do Diálogo pelo Reino, classifica a plataforma do candidato como uma ameaça direta à democracia, à soberania nacional e ao bem comum, distanciando-se dos princípios da Doutrina Social da Igreja.

O texto, que conta com assinaturas de nomes como dom Evaristo Spengler, dom José Reginaldo Andrietta e dom Vicente de Paula Ferreira, evita citar nomes de forma direta, mas identifica o adversário como filho do ex-presidente condenado e preso por ataques ao Estado Democrático de Direito. Os religiosos criticam abertamente propostas como a ampliação do acesso a armas, a postura negacionista diante da crise climática e a submissão do Brasil a interesses estrangeiros.

Ao abordar o cenário eleitoral, os signatários rejeitam a neutralidade e convocam os católicos a comparecerem às urnas no próximo domingo (25). Segundo o manifesto, a escolha não se resume a uma alternância de poder, mas à defesa de valores humanitários e da proteção aos mais pobres. O grupo ressalta que, embora a outra candidatura em disputa também possa ser alvo de críticas, ela demonstrou respeito aos limites constitucionais e responsabilidade com as questões sociais e ambientais.

O documento ainda faz referência à chamada 'Lei da Devastação' (nº 15.190/2025) como exemplo das políticas defendidas pelo grupo do candidato, que, na visão dos bispos, contradizem os ensinamentos cristãos. A carta encerra com um apelo à consciência dos eleitores, invocando a proteção de Nossa Senhora Aparecida para o futuro do país.

Em resumo

  • 45 bispos assinaram manifesto contra a candidatura de Flávio Bolsonaro por considerá-la uma ameaça à democracia.
  • O texto aponta incompatibilidade entre as propostas do candidato e a Doutrina Social da Igreja.
  • Religiosos convocam fiéis ao voto no dia 25 de outubro em defesa de valores humanitários e sociais.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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