Nobel de Economia aponta risco de recessão e desigualdade com eventual governo Flávio Bolsonaro
Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel, alerta que propostas de austeridade do candidato do PL podem devastar investimentos públicos e aprofundar a crise social no Brasil.

Foto: Joseph Stiglitz Crédito: Christian Hartmann/REUTERS · Original e licença
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial brasileira representa um risco severo para a estabilidade econômica e o desenvolvimento social do país. A avaliação é do renomado economista norte-americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, que alertou para os perigos de uma agenda baseada em cortes drásticos de gastos e redução do papel do Estado.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-economista-chefe do Banco Mundial destacou que a combinação de austeridade fiscal com cortes de impostos para os mais ricos tende a contrair a atividade econômica. Segundo Stiglitz, o impacto recairá sobre a classe média e os trabalhadores, uma vez que a preservação das aposentadorias forçará o governo a sacrificar áreas essenciais como educação, infraestrutura e tecnologia.
O economista rebateu o otimismo do mercado financeiro, que reagiu positivamente ao desempenho de Flávio no primeiro turno. Para Stiglitz, a visão dos investidores é imediatista e ignora que uma economia em recessão, sem investimentos básicos, é prejudicial aos próprios negócios. Ele ressaltou que o Brasil sofre com taxas de juros elevadas que não condizem com a realidade inflacionária, criando um desequilíbrio que sufoca a economia produtiva.
Além das preocupações econômicas, o Nobel manifestou receio quanto à integridade democrática do país. Stiglitz, que assinou um manifesto internacional sobre o tema, alertou para o enfraquecimento das instituições e criticou a interferência dos Estados Unidos na política interna brasileira, classificando as pressões de Washington como táticas autoritárias. Ele também advertiu que um alinhamento cego à política externa de Donald Trump, especialmente em hostilidades contra a China, seria um erro estratégico grave para o Brasil.
Em resumo
- Stiglitz afirma que a política de austeridade de Flávio Bolsonaro deve reduzir o PIB e aumentar a desigualdade.
- O economista alerta que cortes em investimentos públicos comprometerão o crescimento de longo prazo do país.
- O Nobel critica a interferência dos EUA na política brasileira e o risco de um alinhamento hostil contra a China.
Fonte: Brasil 247

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