Política · Segurança

Em busca de votos, Flávio Bolsonaro copia propostas de Lula e muda discurso sobre escala 6x1

Candidato do PL apresenta medidas de segurança já implementadas pelo governo atual e altera posicionamento sobre jornada de trabalho após pressão eleitoral.

Foto: Ao lado esposa, Flávio Bolsonaro chora: ele quer fazer tudo que Lula já fez (crédito: PL) · Original e licença

Em um encontro com empresários realizado na última terça-feira (13), em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tentou apresentar um plano de segurança pública que, na prática, apenas replica ações já consolidadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as promessas, o candidato defendeu a ampliação da rede de presídios federais, uma iniciativa que marcou as gestões petistas, mas que foi ignorada durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que não inaugurou nenhuma unidade do tipo.

O histórico de investimentos no sistema prisional federal mostra que, desde 2003, o Brasil criou 1.040 vagas em cinco unidades. Quatro delas foram entregues durante os mandatos de Lula (2003–2010), enquanto a quinta unidade, em Brasília, teve sua construção iniciada sob a gestão de Dilma Rousseff e concluída no governo Michel Temer.

Além da questão prisional, Flávio Bolsonaro prometeu endurecer o combate ao furto de celulares, sugerindo uma pena de oito anos para o crime. O candidato, contudo, ignorou que o governo Lula já sancionou a Lei nº 15.397/2026, que elevou a punição para esse tipo de delito, estabelecendo penas de 4 a 10 anos de reclusão, superando a legislação anterior que previa de 1 a 4 anos.

A estratégia de copiar o governo atual estendeu-se ao debate sobre o fim da escala 6x1. Após dias de silêncio e críticas por parte da campanha de Lula, Flávio mudou seu posicionamento histórico e declarou que votará a favor da proposta no Congresso. O senador, que anteriormente havia classificado a pauta como oportunismo eleitoral, cedeu à pressão popular após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar.

Apesar da mudança de postura, o parlamentar impôs ressalvas, sugerindo que o governo federal deveria compensar os custos das empresas com a redução da jornada. A guinada de Flávio ocorre em um momento em que sua campanha busca desesperadamente reverter a desvantagem nas pesquisas, adotando pautas que, até então, eram combatidas pelo seu próprio grupo político.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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