PF investiga elo entre cúpula do União Brasil e Banco Master em esquema com fundos de previdência
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam articulações de ACM Neto e Antônio Rueda para captar recursos de institutos previdenciários estaduais para o Banco Master.

Foto: ACM Neto e Daniel Vorcaro Crédito: Reprodução · Original e licença
Mensagens extraídas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelam uma intensa articulação política envolvendo o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, para facilitar o acesso do Banco Master a institutos de previdência estaduais. Segundo reportagem publicada pelo UOL, os diálogos indicam que os dirigentes atuavam como facilitadores para que a instituição financeira captasse centenas de milhões de reais de fundos de aposentadoria de servidores públicos.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a propor uma delação premiada — rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República — na qual alegou que os políticos teriam viabilizado as aplicações em troca de comissões de 10%. Documentos apontam que o banco repassou R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia ligados a Rueda e R$ 5,4 milhões a uma consultoria de ACM Neto, totalizando R$ 11,8 milhões. Ambos negam qualquer irregularidade, sustentando que os valores são fruto de serviços profissionais prestados.
As investigações detalham como a influência política era utilizada para abrir portas em estados como Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro. Em um dos episódios, após a aprovação de R$ 400 milhões pela Amapá Previdência, Rueda teria orientado o banqueiro a apagar mensagens. Além disso, o material revela uma relação de proximidade entre Vorcaro e os dirigentes, incluindo o uso de aeronaves particulares e hospedagens de luxo pelo presidente do União Brasil.
Em nota, ACM Neto classificou os vazamentos como seletivos e manipulados, negando qualquer interferência em órgãos federais ou direcionamento de fundos. Rueda, por sua vez, afirmou que sua relação com o banco era estritamente profissional e criticou o uso político de informações sob sigilo. A Polícia Federal segue apurando as circunstâncias das aplicações e a eventual existência de vantagens indevidas em operações que, somadas, alcançariam cifras bilionárias.
Fonte: Brasil 247

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