Redução da jornada de trabalho: estudo histórico desmente profecias de desemprego
Pesquisa sobre a transição constitucional de 1988 mostra que corte na carga horária não gerou desemprego, trazendo alívio ao debate sobre o fim da escala 6x1.

O debate sobre o fim da escala 6x1, cuja emenda constitucional foi promulgada nesta sexta-feira (16) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reacendeu discussões sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho. Para especialistas, o histórico brasileiro oferece lições importantes: quando a Constituição de 1988 cortou a carga semanal de 48 para 44 horas, o desemprego não aumentou.
O economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da FEA-USP, aponta que sua pesquisa sobre aquele período revelou um cenário positivo para o trabalhador. Segundo o especialista, a probabilidade de permanência no mercado de trabalho não caiu e houve um aumento real na remuneração por hora. Para ele, as previsões catastróficas atuais carecem de sustentação técnica e ignoram os ganhos sociais, como o maior tempo de convivência familiar.
Por outro lado, economistas como Fernando de Holanda Barbosa, do Ibre/FGV, ponderam que o contexto econômico atual é distinto do final da década de 80. Barbosa argumenta que, com a inflação controlada, as empresas teriam menos margem para repassar custos aos preços finais. O pesquisador alerta para possíveis desafios em setores intensivos em mão de obra, sugerindo que o debate deve considerar como o mercado reagirá à nova estrutura de custos.
A nova emenda prevê um período de transição de 14 meses para a implementação da redução da jornada, medida vista como prudente por especialistas para mitigar impactos imediatos. Enquanto o debate segue, o foco se divide entre a proteção dos direitos dos trabalhadores e as preocupações de setores produtivos sobre a viabilidade operacional das mudanças.
Fonte: ICL Notícias

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