Política · Justiça

Financiamento obscuro: perfil que promoveu Flávio Bolsonaro recebeu R$ 875 mil de doadores ocultos

Documentos fiscais revelam que a fundação por trás do Visegrád24 recebeu repasses milionários de fontes anônimas antes de dar destaque ao senador brasileiro.

Foto: Flávio Bolsonaro; Doadores ocultos - Flávio Bolsonaro (Roque de Sá/Agência Senado) · Original e licença

O perfil internacional Visegrád24, que ganhou notoriedade ao entrevistar o senador Flávio Bolsonaro (PL) e impulsionar narrativas sobre sua candidatura, opera sob uma estrutura de financiamento opaca. Segundo apuração da Revista Fórum, a The Intermarium Foundation, entidade responsável pelo perfil, recebeu US$ 175 mil — cerca de R$ 875 mil — em 2024, provenientes da DonorsTrust, um fundo conservador conhecido por preservar o anonimato de seus doadores.

Os dados constam no Form 990, documento de prestação de contas obrigatório nos Estados Unidos. O relatório referente a 2024, entregue em novembro de 2025, aponta que a fundação arrecadou US$ 852 mil no período, quase a totalidade via doações. Chama a atenção o fato de a entidade não ter registrado gastos com salários, mas ter desembolsado US$ 365 mil (aproximadamente R$ 1,8 milhão) para "consultores" e "subcontratados" sem identificar nenhum dos beneficiários.

A relação do Visegrád24 com o clã Bolsonaro tornou-se alvo de escrutínio após o perfil publicar uma entrevista com Flávio em 4 de fevereiro de 2026, logo após uma viagem do parlamentar a Israel. Posteriormente, o perfil também replicou dados de apostas da plataforma Polymarket que favoreciam o senador. O caso é objeto de uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), movida pelo Partido Missão, que questiona a natureza de publicações pagas sobre o político.

Embora a legislação eleitoral brasileira proíba o financiamento de campanhas por entidades estrangeiras, a identificação dos responsáveis pelo conteúdo exige apurações específicas. Stefan e Alexandra Tompson, dirigentes da fundação, mantêm uma rede de atuação internacional que inclui consultorias na Polônia e conexões com entidades pró-Israel, mantendo, contudo, o sigilo sobre quem financia, de fato, a linha editorial do Visegrád24.

Fonte: Revista Fórum

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