Meta lucra R$ 2 milhões com anúncios eleitorais irregulares financiados do exterior
Relatório do NetLab UFRJ denuncia que a Meta permitiu a circulação de propaganda política ilegal paga com recursos estrangeiros durante as eleições de 2026.

Foto: IA da Meta bloqueia pedidos de artes com Lula 13, mas gera brasões e banners de Flávio 22. Testes expõem tratamento desigual às vésperas da eleição. - Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Foto: Samuel Boivin/NurPhoto) (Photo by Samuel Boivin / NurPhoto via AFP · Original e licença
Uma investigação do NetLab UFRJ, ligada ao Observatório das Big Tech, revelou que a Meta permitiu a veiculação de 1.613 anúncios políticos irregulares no Brasil entre julho e setembro de 2026. As peças, que violam a legislação eleitoral brasileira ao utilizar recursos de origem estrangeira, renderam cerca de R$ 2 milhões à gigante da tecnologia.
O levantamento aponta que 98% dos anúncios que declararam a origem da verba vieram dos Estados Unidos. Ao todo, o material somou 171,1 milhões de impressões e envolveu 70 candidatos. A empresa Corporativo Lam, LLC, que não possui responsáveis identificados, concentrou 97,3% dos registros, investindo cerca de R$ 1,6 milhão na plataforma.
A legislação brasileira veda o uso de recursos estrangeiros para propaganda eleitoral e exige a identificação clara de quem impulsiona o conteúdo. Segundo o NetLab, a Meta falhou ao não classificar as peças como políticas previamente, agindo apenas após o alcance massivo. "É escandaloso que a Meta ganhe R$ 2 milhões veiculando anúncio absolutamente ilegal durante as eleições brasileiras", afirmou Marie Santini, diretora do laboratório.
Para os pesquisadores, a omissão da plataforma diante de um volume tão expressivo de impressões levanta sérios riscos à integridade do pleito. A estrutura de pagamentos, que utiliza intermediários e fontes apócrifas, sugere a existência de campanhas coordenadas que dificultam a fiscalização pelas autoridades competentes.
Fonte: Revista Fórum

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