Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa acusada de manipular eleições com IA
Documentos do TSE revelam repasses vultosos à Elytron, empresa denunciada internacionalmente por oferecer ferramentas de guerra psicológica e deepfakes para influenciar eleitores.

Foto: - O senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente - Foto: Leandro Chemalle/Revista Fórum · Original e licença
A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) está sob suspeita após a revelação de pagamentos de R$ 600 mil à Elytron, uma empresa de cibersegurança que, segundo denúncias internacionais, oferece um ecossistema de inteligência artificial voltado para a manipulação comportamental de eleitores. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16) pelo portal Intercept Brasil.
De acordo com a reportagem, documentos obtidos pelo veículo mostram que a Elytron apresentou a potenciais clientes nos Estados Unidos um portfólio que inclui a criação de avatares inautênticos, disseminação de fake news e o uso de deepfakes para difamar adversários políticos. O consultor norte-americano Vincent Edward Reed, que trabalhou para a firma, denunciou o esquema ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA, afirmando que a ferramenta visava a manipulação humana.
No Brasil, os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmam os repasses. Além dos R$ 600 mil pagos pela campanha de Flávio Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) destinou outros R$ 131,9 mil à empresa em julho de 2026. Há, contudo, uma inconsistência contábil: enquanto a prestação de contas parcial da campanha declarou R$ 1 milhão em despesas com a Elytron, as notas fiscais emitidas somam R$ 600 mil.
Os serviços foram registrados sob rubricas genéricas como 'consultoria em tecnologia da informação' e 'apoio forense'. Até o momento, não foram apresentadas provas materiais de que a campanha do candidato do PL tenha efetivamente utilizado os módulos de manipulação psicológica oferecidos pela empresa. A Elytron foi fundada pelo brasileiro João Lucas Melo Brasio e possui conexões com redes internacionais de inteligência e vigilância digital.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.