Cenário eleitoral: Lavareda aponta recuperação de Lula e vê possibilidade de virada histórica
Cientista político Antônio Lavareda avalia que Lula retomou competitividade contra Flávio Bolsonaro, mas alerta para o desafio da abstenção entre eleitores de baixa renda.

Foto: Lula e Dilma – Foto: Reprodução/Felipe Dana/AP · Original e licença
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ganhar fôlego na disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo o cientista político Antônio Lavareda, presidente do conselho do IPESP, o petista recuperou sua competitividade no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), abrindo espaço para um cenário que remete à histórica virada de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves em 2014.
Em entrevista à TV 247, Lavareda observou que levantamentos recentes de institutos como Nexos, PoderData e Quaest mostram uma aproximação entre os candidatos, reduzindo a vantagem que antes favorecia o adversário. Para o especialista, a mobilização de novos atores e a entrada de temas como o fim da escala 6x1 e o apoio aos microempreendedores individuais (MEIs) têm sido cruciais para atrair o eleitorado indeciso.
Apesar do otimismo com a curva de crescimento, o analista faz uma ressalva importante: o peso da abstenção. Lavareda destaca que, historicamente, o eleitorado de menor renda e escolaridade — base fundamental de Lula — apresenta maior dificuldade de comparecimento às urnas. Dados citados pelo cientista político indicam que a ausência entre analfabetos ou pessoas sem ensino fundamental pode superar 50%, enquanto entre o público com ensino superior a taxa gira em torno de 12%.
“Lula recuperou a competitividade e abre a possibilidade de nós repetirmos a linha do tempo do segundo turno de 2014”, afirmou Lavareda. O especialista alerta, contudo, que a disputa deve ser decidida nos detalhes. Ele ressalta que, em um cenário de margens estreitas, o sucesso da campanha dependerá diretamente da capacidade de garantir que o eleitor de baixa renda supere obstáculos como custos de transporte e falta de apoio para o cuidado com os filhos no dia da votação.
Com o segundo turno marcado para o dia 25 de outubro, a avaliação é de que, embora a aproximação nas pesquisas tenha alterado a dinâmica da corrida, o resultado final permanece em aberto. A estratégia agora, segundo a análise, é converter o engajamento nas pautas sociais em votos efetivos, evitando que a diferença de comparecimento entre os estratos sociais prejudique o desempenho do presidente nas urnas.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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