Política · Justiça

STJ apura esquema de vazamento de decisões sigilosas para advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Investigação interna no Superior Tribunal de Justiça aponta que escritório de Willer Tomaz recebia minutas de julgamentos antes da publicação oficial.

Foto: O advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá e os senadores Weverton Rocha e Flávio Bolsonaro durante safári – Foto: Reprodução · Original e licença

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instaurou uma investigação interna para apurar um suposto esquema de vazamento de minutas de decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal (MPF) ao advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A apuração, conduzida pela Polícia Federal, indica que o escritório do advogado teria acesso privilegiado a informações sobre resultados de julgamentos, permitindo ajustes estratégicos em processos antes mesmo da oficialização dos atos.

O presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, determinou a abertura do procedimento na última semana e ordenou a exoneração de Humberto Pradera, servidor que atuava na Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação. Em sua defesa, Pradera negou ter tido acesso a processos em andamento e afirmou que suas permissões eram restritas. O STJ informou que as medidas criminais tramitam sob sigilo e não comentará detalhes do caso.

Segundo a PF, o esquema envolvia a antecipação de decisões para que o escritório pudesse desistir de recursos ou alterar estratégias processuais. Entre os episódios citados, destaca-se uma disputa judicial de R$ 176,4 milhões envolvendo o terreno da antiga Academia de Tênis, em Brasília, onde uma minuta de acórdão teria sido recebida pelo escritório dois dias antes de ser assinada. Outro caso mencionado pela PF envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA), cliente de Tomaz, em uma ação contra a Editora Abril.

A investigação também aponta o envolvimento do procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, suspeito de repassar dados sigilosos e articular o conteúdo de pareceres do MPF para beneficiar os interesses do advogado. O material coletado pela PF será encaminhado ao Ministério Público para análise sobre o foro competente. Por meio de nota, Willer Tomaz negou “categoricamente” qualquer irregularidade, sustentando que sua atuação sempre respeitou os meios institucionais e processuais.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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