Apesar de toda a babação da mídia, Barbosa diz que imprensa atrapalha
Ministro, que pensa até em concorrer às eleições graças ao apoio da imprensa, desdenha da exposição que tem na mídia

Em palestra que proferiu na França, presidente do STF, Joaquim Barbosa disse que a superexposição dos ministros durante as transmissões ao vivo de julgamentos contamina a corte; ele afirmou que o fenômeno da superexposição repercute na maneira como certos ministros deliberam e sobre o conteúdo de algumas decisões; contraditoriamente, presidente do STF foi e é o maior beneficiado pela superexposição durante o julgamento da Ação Penal 470, que o projetou, inclusive, para uma possível entrada nas disputas político-eleitorais
24 DE JANEIRO DE 2014 ÀS 21:02
247 - Em conferência para cerca de 200 juristas e acadêmicos em Paris, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, disse, nesta sexta-feira (24), que a superexposição dos ministros durante as transmissões ao vivo contamina os julgamentos da corte. Segundo ele, a lei que criou a TV Justiça foi um imperativo democrático, uma vez que as transmissões reforçam a transparência ao permitir que os cidadãos exerçam um controle mais eficaz sobre as atividades da corte, mas isso favorece a falta de objetividade dos magistrados.
A individualidade prevalece sobre o colegiado e nós não sabemos exatamente que fundamentos basearam as decisões, disse Barbosa, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. A conferência proferida por Barbosa foi sobre a influência da publicidade sobre a racionalidade das decisões tomadas pelo STF. Sem citar nomes de colegas, Joaquim Barbosa afirmou que o fenômeno da superexposição repercute na maneira como certos ministros deliberam e sobre o conteúdo de algumas decisões.
Segundo ele, problema é mais agudo nas sessões plenárias do que nas reuniões das turmas sucursais (que não são televisionadas). Joaquim Barbosa também expressou incômodo com o tom da cobertura jornalística sobre as atividades da corte. De acordo com o presidente do STF, os veículos de comunicação brasileiros privilegiam a cobertura das relações entre os ministros.
O tribunal é de alguma forma uma vítima de seu próprio sucesso. Se a transparência é democraticamente desejável e essencial, é necessário combinar com decência e moderação. A decência dos jornalistas de se concentrar nas questões jurídicas e não nas questões pessoais. E a moderação dos ministros para que o colegiado triunfe sobre a individualidade, afirmou.
As declarações de Barbosa soam contraditórias, uma vez que foi ele o principal beneficiado da superexposição provocada pelo julgamento da Ação Penal 470, o mensalão. Além disso, foi Barbosa quem protagonizou momentos polêmicos e discussões acaloradas com outros ministros, situação que ele criticou na palestra desta sexta.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.