Política · Justiça · Segurança

Matarazzo quer barrar investigação contra ele, diz Alstom

A defesa do vereador tucano estuda ir à Justiça com pedido de habeas corpus

Vereador Andrea Matarazzo, do PSDB: Matarazzo já foi investigado pela PF no inquérito Alstom

São Paulo - A defesa do vereador Andrea Matarazzo (PSDB) estuda ir à Justiça com pedido de habeas corpus para evitar a abertura de inquérito da Polícia Federal contra o tucano no âmbito do caso Alstom - suposto esquema de propinas a funcionários públicos da área de energia do Estado de São Paulo, entre 1998 e 2003, nos governos Mário Covas e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

A alegação central é de que a investigação - requerida pela Procuradoria da República e autorizada pela 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo - não tem causa, nem objeto.

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa Matarazzo, destaca que não há nada a temer, mas faz um alerta.

O que me causa espanto é que vivemos um momento em que todo homem público tem que ser investigado. Um cidadão assume o governo e já se abre inquérito contra ele. O homem público está estigmatizado neste País.

Matarazzo já foi investigado pela PF no inquérito Alstom. Ex-secretário de Energia de Covas, ex-ministro de Comunicação Social do governo Fernando Henrique Cardoso e ex-secretário de Cultura das gestões Alberto Goldman e Alckmin, o tucano foi indiciado por corrupção passiva, mas ele afirma que não conhece os lobistas, empresários e executivos que protagonizaram o escândalo.

Não assinei o contrato e nenhum aditamento, todas as atas estão lá, disse Matarazzo. Fiquei apenas 7 meses no cargo de secretário, em 1998. A Eletropaulo estava em pleno processo de privatização. O grande problema disso tudo é o desgaste político, fica sangrando.

Há três semanas, ao apresentar à Justiça denúncia criminal contra 12 investigados do caso Alstom, a Procuradoria excluiu Matarazzo porque reconheceu expressamente inexistência de provas contra ele.

No entanto, a Procuradoria requereu inquérito específico sobre o tucano alegando que ainda são aguardados documentos da Suíça em nível de cooperação jurídica internacional.

O advogado do vereador afirma que nenhum documento poderá comprometer Matarazzo. Mas, suponha-se que mandem para o Brasil a prova de um crime. Aí sim o Ministério Público poderia requisitar inquérito policial ou aditar a denúncia já oferecida. O caminho natural é este, jamais abrir um inquérito sem fato a ser investigado.

Para o criminalista Mariz de Oliveira, o novo inquérito representa uma punição política, uma punição fora da lei.

Fonte: Exame Abril

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