Campos diz desconfiar de 'jogo' para que Petrobras seja vendida
Governador e provável presidenciável do PSB discursou em Salvador. Petrobras enfrenta crise devido a suspeitas sobre compra de refinaria.

Ao concluir uma série de críticas à condução da política energética do governo federal durante discurso em um seminário neste sábado (22), em Salvador, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse desconfiar de que a crise que envolve a Petrobras seja parte de um jogo para vender a empresa.

A Petrobras é alvo de investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União devido à compra de uma refinaria em Pasadena, nos EUA. Entre 2006 e 2012, a estatal desembolsou US$ 1,18 bilhão pela refinaria, que em 2005 tinha custado US$ 42 milhões à empresa belga Astra Oil. Em nota, o Palácio do Planalto informou que a presidente Dilma Rousseff votou a favor da compra da refinaria em 2006, quando presidia o Conselho de Administração da companhia, baseada em um parecer técnico “falho” e em documentação que omitia duas cláusulas do contrato. O suposto responsável pelo parecer foi exonerado nesta sexta.
Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência da República, afirmou que há uma série de desacertos na condução desse setor tão estratégico e disse que a história da Petrobras não pode ser confundida com a história de episódios que precisam ser esclarecidos.
Às vezes eu fico sinceramente desconfiado se isso não faz parte de um jogo para desvalorizar a Petrobras e vender a Petrobras. E nós precisamos fazer o jogo correto, republicano, brasileiro, que é proteger a maior empresa pública do país, declarou para uma plateia de militantes, em discurso de 35 minutos ao lado da ex-senadora Marina Silva e do deputado Roberto Freire (PPS-SP), durante o Seminário Regional Programático de PSB, Rede e PPS, em Salvador.
Campos localizou a série de desacertos no período do governo da presidente Dilma Rousseff. Ele disse que, em três anos, a Petrobras passou a valer a metade do que valia em 2010, ano em que o presidente ainda era Luiz Inácio Lula da Silva, e a dever quatro vezes mais do que devia.
Ele também criticou a situação do setor de produção de etanol, que, segundo afirmou, enfrenta atualmente o mais duro momento na história.
A condução que foi feita nela, por ela, na questão da administração do preço dos combustíveis levou o setor do etanol no Brasil a viver seu mais duro momento na história. Só em São Paulo, mais de 40 usinas de produção de álcool fecharam. A gente precisa olhar para tudo isso com muito cuidado, declarou.
Pesquisas
Para o governador, é preciso salvar as conquistas que o povo brasileiro fez com muita luta. Ele disse que deixará o governo de Pernambuco no próximo dia 4 e defendeu a proposta de unir o país para melhorar a saúde pública e para se ter educação pública de qualidade em dez anos. Deixarei o governo no dia 4 com mais alunos em escolas de tempo integral do que São Paulo, Minas e Rio de Janeiro juntos, afirmou.
Ele minimizou o resultado de pesquisas eleitorais que o colocam em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás de Dilma e Aécio Neves (PSDB) – o levantamento mais recente, do Ibope, foi divulgado nesta quinta. Comecei a campanha [para governador] com 4%. Tinha gente que tinha mais de 100%. Fui, fui, fui, ganhei com 63% na primeira vez e, na segunda, com 83% dos votos dos meus conterrâneos, disse.
Fonte: G1

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