Política

Wagner ao 247: 'Eu disse ao Lula, ''Não saia candidato'''

A democracia não pode ficar refém de um único ser humano, afirmou ao 247, em Comandatuba, na Bahia, o governador Jaques Wagner; ele explicou que esteve pessoalmente com o ex-presidente para expor sua tese a respeito da importância da candidatura, agora, da presidente Dilma Rousseff à reeleição; A naturalidade é sempre o melhor caminho na política; frisou; Para termos instituições e partidos fortes é preciso haver oxigenação

O governador Jaques Wagner, da Bahia, é um quadro dos mais altos escalões do PT. Ele foi ministro do Trabalho, primeiro, e das Relações Institucionais, em seguida, nos dois governos do presidente Lula. Mas, neste momento, Wagner não tem meias palavras para defender sua posição a favor da reeleição da presidente Dilma Rousseff, em lugar de demonstrar qualquer aquiescência com a possibilidade de o próprio Lula tomar o lugar dela na disputa eleitoral.

- Eu estive com Lula e disse a ele para não ser candidato agora. Para continuarmos fortalecendo as instituições, em geral, e o nosso partido, em particular, é preciso oxigenação.

À frente do salão de eventos do hotel Transamérica, na Ilha de Comandatuba, onde o LIDE – Grupo de Líderes Empresariais – realiza seu 14º Fórum Empresarial, Wagner explicou sua tese ao 247:

- A democracia não pode depender de um único ser humano. Pessoalmente, sempre acreditei que a naturalidade é o melhor caminho, não apenas na política, mas na vida também. E o natural, agora, é que a presidente Dilma busque a sua reeleição.

Ele não se mostra preocupado com as oscilações nas pesquisas eleitorais que, neste momento, apontam para uma perda de pontos para a presidente Dilma e ganhos significativos para os presidenciáveis Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. Os dois presidenciáveis foram os principais oradores do evento organizado pelo empresário João Dória Jr, presidente do LIDE. Mais de 300 empresários compareceram aos debates.

- Eleição é paixão, e muita coisa ainda vai acontecer. A oposição hoje parece mais feliz, mas em qualquer episódio, a qualquer momento, seus representantes podem escorregar e cair. É típico da política isso.

Mas, e quanto à perda de pontos de Dilma?

- Aqui na Bahia ela subiu um por cento e teria hoje 75 por cento dos votos válidos. É um desempenho excelente.

O chamado movimento volta Lula seria, então, um ação do conhecido fogo amigo do PT?

- Eu diria que é um desejo amigo. Há quem considere o Lula melhor que qualquer outro candidato, mas não existe essa história de que se ele entrar na disputa a eleição estaria resolvida, acabada. Vai ser dura do mesmo jeito.

Wagner lembrou de sua própria trajetória eleitoral para mostrar que as boas propostas podem ser reconhecidas com a estratégia certa:

- Comecei minha primeira eleição de governador com quatro por cento das intenções de votos e sem ninguém para acreditar que eu poderia vencer. Pois não apenas ganhei, como ganhei em primeiro turno. A presidente Dilma tem todas as condições para vencer também no primeiro turno, não tenho nenhuma dúvida disso.

Fonte: Brasil 247

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