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Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna

Escritor, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna morreu de parada cardíaca; ele estava internado na UTI do Real Hospital Português, no Recife (PE), desde a noite de segunda-feira; Suassuna foi submetido a uma cirurgia de emergência após ter sofrido um AVC do tipo hemorrágico; o escritor nasceu na Paraíba, mas morava no Recife; é autor de peças teatrais, como O Auto da Compadecida, e de romances, como A Pedra do Reino

Morreu nesta quarta-feira 23 o escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, aos 87 anos. O paraibano estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Real Hospital Português, no Recife (PE), desde a noite de segunda-feira. Suassuna chegou a ser submetido a uma cirurgia de emergência após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) do tipo hemorrágico.

O escritor estava em coma, respirando com a ajuda de aparelhos e tinha o estado de saúde grave e instável. No boletim divulgado nesta quarta-feira, os médicos relataram agravamento em seu quadro de saúde, que apresentou queda na pressão arterial e pressão intracraniana elevada.

No ano passado, o escritor sofreu um infarto, e dois dias depois de receber alta, deu entrada novamente no hospital por causa de um aneurisma cerebral. Na última sexta-feira (18), Ariano Suassuna participou de uma aula-espetáculo, no Festival de Inverno de Garanhuns, no agreste pernambucano.

Ariano Suassuna nasceu na Paraíba, mas morava no Recife. É autor de peças teatrais famosas, como O Auto da Compadecida, e de romances, como A Pedra do Reino.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil:

Morre o escritor Ariano Suassuna

Marcelo Brandão - Morreu hoje (23) o escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna. Ele estava internado, desde segunda-feira (21) no Real Hospital Português, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Suassuna, que tinha 87 anos, morreu às 17h15, de parada cardíaca, provocada pela hipertensão intracraniana. A família ainda não informou os detalhes do funeral.

Nascido em João Pessoa, quando a capital paraibana ainda se chamava Nossa Senhora das Neves, em 1927, ainda adolescente, Ariano Vilar Suassuna foi morar no Recife, onde terminou os estudos secundários e deixou seu nome marcado na cultura brasileira, especialmente no teatro e na literatura.

Em 1946, na capital pernambucana, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, junto com o amigo Hermilo Borba Filho. No ano seguinte, escreveu sua primeira peça teatral, Uma Mulher Vestida de Sol, seguida de Cantam as Harpas de Sião e Os Homens de Barro. Em 1955, escreveu sua obra mais popular, Auto da Compadecida, que conta as aventuras de dois amigos, Chicó e João Grilo, no Nordeste brasileiro. A peça foi adaptada duas vezes para o cinema, em 1969 e 2000.

Suassuna continuou criando, escrevendo peças de teatro, romances e poesias. O Santo e a Porca, Farsa da Boa Preguiça e Romance dA Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta são algumas das dezenas de obras dele. A maioria delas foi traduzida para outros idiomas, como francês, alemão, espanhol, inglês e holandês. Em 1989, passou a ocupar a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras.

Carismático, Suassuna esbanjou simpatia por onde passou. Mais recentemente, apresentou sua aula-espetáculo por todo o Brasil, onde ensinou formas de arte para o público e mostrou a riqueza da cultura do país, contando histórias, causos e piadas. Suassuna mostrou ao povo brasileiro como ele é inventivo, engraçado, esperto e interessante e provou que não existe nada do lado de lá das fronteiras que possamos invejar.

Em uma de suas últimas passagens por Brasília, Suassuna encerrou a aula-espetáculo valorizando, não sua obra, mas a de outro brasileiro. O escritor citou o filósofo Matias Aires como exemplo da qualidade nacional, mas também como um resumo da sua própria trajetória, e da de todos nós, neste mundo.

Quem são os homens mais do que a aparência de teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida. Ninguém escolhe o seu papel, cada um recebe o que lhe dão. Aquele que sai sem fausto, nem cortejo, e que logo no rosto indica que é sujeito à dor, à aflição, à miséria, esse é o que representa o papel de homem. A morte, que está de sentinela, em uma das mãos segura o relógio do tempo. Na outra, a foice fatal. E, com esta, em um só golpe, certeiro e inevitável, dá fim à tragédia, fecha a cortina e desaparece, disse, então, Ariano Suassuna.

Fonte: Brasil 247

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