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Crítica à diplomacia é 'eleitoral' e 'ideológica'

Assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia diz em entrevista que crítica feita à diplomacia brasileira a respeito da condenação aos ataques de Israel em Gaza é eleitoral, movida por ideologia; gesto brasileiro de convocar o embaixador em Tel Aviv, diz ele, é um procedimento diplomático clássico diante de situações graves, que já havia sido tomado por outros países; segundo Garcia, querem desacreditar a política externa brasileira; sobre Gaza, declara: de dezenas e centenas de mortos em alguns dias podemos chegar a milhares de mortos, algo absolutamente intolerável

A crítica feita à diplomacia brasileira em relação ao posicionamento do País contra Israel é eleitoral, movida por ideologia, afirmou o assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. Em entrevista ao site da revista Época, ele diz que querem desacreditar a política externa brasileira e defende que, nos posicionamentos do Itamaraty, há uma influência da ideologia da Constituição.

Seguimos as dez alíneas do artigo 4º da Constituição Brasileira. Querem desacreditar a política externa brasileira e fazem essa crítica. É normal, vivemos numa sociedade democrática, e cada um pode dizer o que quiser. E isso tem sido dito com certa exuberância, declarou Garcia. O governo brasileiro publicou duas notas condenando a violência na Faixa de Gaza. Na segunda, criticou o uso desproporcional da força de Israel contra os palestinos.

Segundo o assessor, o Brasil já havia feito uma crítica equilibrada aos dois ataques na primeira nota, de 27 de julho, mas o agravamento e a deterioração da situação levaram o Brasil a focar em Israel na segunda nota. Sobre a convocação do embaixador brasileiro em Tel Aviv, disse ser um procedimento diplomático clássico diante de situações graves, que há havia sido tomado por outros países nesse caso. O Chile não só chamou o embaixador, como interrompeu as relações comerciais com Israel, complementou.

Garcia nega que haja, em absoluto, um relativismo moral da política externa brasileira após afirmação do jornalista Rodrigo Turrerer de que o Brasil chamou a ação de Israel de desproporcional, mas calou sobre os ataques do Hamas, sobre a guerra civil na Síria, sobre a ação da Rússia na Ucrânia.

O que acontece na Faixa de Gaza, hoje, é o que aconteceu no começo da guerra na Síria. De dezenas e centenas de mortos em alguns dias podemos chegar a milhares de mortos, algo absolutamente intolerável, afirmou, sobre a matança que já ultrapassa 1.600 baixas do lado dos palestinos, a maioria civis. Nossa política externa está regulada por uma série de princípios, um dos quais é o respeito aos direitos humanos, um preceito constitucional, acrescentou.

Fonte: Brasil 247

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