Economia

FMI sugere fim da universidade gratuita no Brasil

Nos tempos de FHC, FMI sugeria o fim da universidade publica

Relatório elaborado por técnicos do FMI (Fundo Monetário Internacional) sugere que as universidades públicas brasileiras deveriam cobrar algum tipo de mensalidade dos estudantes.

De acordo com o documento, o ensino superior gratuito beneficia, em maior escala, as pessoas de maior renda.

Isso (a cobrança de algum tipo de mensalidade) iria liberar mais recursos para financiar os ensinos fundamental e médio, afirmam os técnicos da entidade.

O texto não especifica se a cobrança seria feita dos alunos de graduação ou de pós-graduação. Nesse ano, o orçamento das 52 instituições federais de ensino superior totaliza R$ 6,14 bilhões.

A sugestão está no relatório Brasil: Assuntos Selecionados e Estatísticas, feito pelo FMI no mês passado. O documento analisa a situação da economia brasileira e a eficácia dos investimentos do governo nas áreas sociais.

De acordo com o FMI, o governo gasta, com cada aluno do ensino superior, cerca de 16 vezes mais do que com um estudante do ensino fundamental. Além disso, a proporção de alunos por professor é mais baixa no ensino superior.

Renda

O aumento dos investimentos no ensino fundamental é considerado no relatório como uma maneira de melhorar a distribuição de renda no país.

Enquanto gastos do governo nos ensinos médio e superior costumam ter impacto negativo na distribuição de renda, investimentos na pré-escola e no ensino fundamental têm o efeito oposto, diz o documento.

Para o FMI, uma das principais deficiências dos investimentos na área social _em especial, projetos relativos a educação e saúde_ é a má distribuição dos recursos destinados a essas áreas.

Melhores resultados poderiam ser obtidos sem que seja necessário um aumento no orçamento dessas áreas, diz o FMI.

Segundo o documento da entidade, muita coisa poderia melhorar se os gastos do governo fossem mais eficientes.

Ainda há muito a ser feito para que a assistência social seja uma poderosa rede de segurança social e instrumento de alívio da pobreza no Brasil, afirma o relatório do Fundo.

Elogio

O documento ressalta, porém, que, apesar disso, há muitos programas bem direcionados e que conseguem atingir a camada mais pobre da população.

Um dos programas elogiados é o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), dispositivo criado pelo Ministério da Educação para financiar projetos dos governos regionais.

Para o FMI, o Fundef ajudou a diminuir a diferença entre os salários pagos a professores do ensino fundamental em cada Estado.

Os salários mais baixos geralmente são recebidos por professores das regiões Norte e Nordeste, se comparado àqueles das demais regiões do país.



Mais crianças

O aumento do número de crianças na escola também foi elogiado pelo FMI.
O documento aponta que, em 1999, cerca de 95% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola _contra 90% em 1994. Mas as taxas de reprovação ainda são consideradas altas.

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Fonte: Folha de São Paulo

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