Miruna ao 247: Sentimentos de injustiça não passará

Filha do ex-deputado José Genoino relata, em entrevista ao 247, a felicidade com que recebeu a notícia de que seu pai sairia da prisão; pouco depois, a frustração em saber que ele não passaria o Dia dos Pais junto da família, neste domingo; Exclusivamente por burocracia, diz, em referência ao Judiciário; a audiência que permitirá a ida do ex-deputado para casa foi marcada para terça-feira 12; ela compara a rapidez de sua prisão, em novembro de 2013, com a demora para deixá-lo ir para casa; e lamenta a cobertura da imprensa: divulgam o fato como se ele estivesse dando um jeitinho para se livrar [da pena], não como se tivesse direito
A notícia de que o ex-deputado José Genoino deixaria a penitenciária da Papuda, em Brasília, para cumprir a pena em casa foi recebida com muita felicidade pela família, relata a filha mais velha, Miruna Genoino. A imensa frustração, porém, em saber que Genoino não passaria o Dia dos Pais junto da família, neste domingo 10, tomou conta de todos pouco depois.
Única e exclusivamente por burocracia, revolta-se Miruna, em conversa com o 247 na noite de sexta-feira. Ontem a gente tava super feliz, mas agora estamos no fundo do poço, descreve. Ela lamenta o fato de que esse tipo de data nunca vai voltar. Nunca vamos ter esse dia de volta, são muitas datas que estamos perdendo, diz. E conta que, por isso, a esperança é um sentimento difícil. Não sabemos mais de nada.
O petista cumpriu no último dia 21 de julho um sexto da pena de 4 anos e 8 meses pela condenação por corrupção ativa na Ação Penal 470, requisito exigido por lei para a progressão do regime semiaberto para o aberto, que em Brasília é convertido automaticamente para o domiciliar. A Justiça marcou para terça-feira 12 a audiência que irá formalizar a progressão do regime e, assim, autorizar Genoino a ir para casa.
Para Miruna, o sentimento de injustiça nunca vai passar. Ele é inocente, não fez nada, defende. Nunca vamos reparar a injustiça, vamos igualar, acrescenta, sobre os mais de oito meses que seu pai já passou na prisão. Um ambiente, como ela descreve, nada apropriado para um paciente cardíaco.
Ele é um homem forte, é um homem guerreiro, mas o problema é a saúde, principalmente o problema da coagulação, porque a pressão a gente consegue controlar. A coagulação é mais chata, envolve a alimentação, e lá não tem nada disso, lembra. Genoino, que já passou mal na prisão e chegou a ser levado para o hospital, sofre de dissecação da aorta, doença que exige uma série de cuidados específicos.
Outro problema lembrado pela filha do ex-parlamentar é a dificuldade em estar nas visitas. As visitas são de quarta-feira, dia de trabalho, nós todos, eu e meus irmãos, necessitamos muito do nosso salário. Vai ver quanto é que o filho desses outros ganham, afirma, sem citar nomes. Miruna lembra ainda que a família mora em São Paulo, o que exige mais custos, como passagem aérea, para chegar até a prisão. O contato fica por meio das cartas, que ela escreve diariamente. A mãe, Rioko Kayano, é quem consegue visitá-lo todas as semanas.
Agora, com a saída de José Genoino da penitenciária, o passo é procurar um lugar para que possamos cuidar dele, diz Miruna. Cuidados físicos e emocionais, detalha. E tentar retomar, talvez, a rotina que a família perdeu. Viemos de um desgaste, recorda, citando a imprensa. Eles noticiam o fato [da progressão para o regime domiciliar] como se dizendo ele vai se livrar, como se estivesse dando um jeitinho. Não como se ele tivesse direito. Para começar, não era nem para ele estar lá. Ele é inocente, todo mundo sabe disso.
Fonte: Brasil 247

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