Paulo Vannuchi: queda na porcentagem de jovens eleitores é preocupante
Vannuchi afirma que há um cansaço da juventude com as formas de participação política existentes

Para o analista e cientista político Paulo Vannuchi, é preocupante queda na porcentagem de jovens entre 16 e 17 anos que tiraram título de eleitor para eleição presidencial deste ano com relação a anterior. Nas eleições de 2010, 35% dos jovens que têm direito facultativo ao voto emitiram o título, mas, neste ano, apenas 23% fizeram o mesmo, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Há uma queda muito forte. Essa notícia é preocupante, embora mais ou menos já fosse esperada. O Brasil dos últimos anos revelou que uma parcela participativa dos jovens não tem interesse na luta eleitoral, avalia, em seu comentário de hoje (11) para a Rádio Brasil Atual. O analista político avalia que o dado não surpreende porque, durante as manifestações de 2013, a palavra de ordem você não me representa!, direcionada aos políticos brasileiros, foi muito recorrente entre os jovens.
Hoje é o dia propicio para chamar a atenção a isso, porque 11 de agosto é o dia do estudante no Brasil, e amanhã, dia 12, é o dia mundial da juventude, que a ONU estabeleceu em 1999, relembra. Vannuchi afirma que a democracia brasileira vai avançar ou regredir de acordo com o engajamento da juventude que foi às ruas, politizada, e mesmo as articulações culturais de jovens. A verdade é que existe um cansaço com as formas de participação política existente, e é preciso que os partidos, principalmente os de esquerda, aceitem se renovar, pontua.
Vanucchi considera ainda que este cenário é o contrário do país há 20 anos atrás, quando a juventude lutava pelo fim da ditadura e pelo direito ao voto. Quando o Brasil saia do sufoco da ditadura, teve da juventude um grande impulsionador que entendeu a necessidade de votar, que faz as direitas já, fez o impeachment do Collor, diz.
Vannuchi pontua ainda que há resistência por parte de parlamentares e segmentos mais conservadores da sociedade ao decreto presidencial que amplia os mecanismos de participação social na política brasileira. É como se tivesse um parcela do poder político brasileiro que está aberto a participação, sobretudo da juventude, e outra parcela, sobretudo do legislativo, que tem medo dessa legislação, que entende que qualquer participação, conferências, diálogos, redes, ameaçam o seu poder de deputado, de senador, de doutor, critica.
A PNPS – recém-instituída por meio do Decreto Presidencial nº 8.243 e que vem despertando forte resistência da oposição ao governo federal no Congresso – tem o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos de diálogo entre a administração pública federal e a sociedade civil. Para isso, o decreto define dez conceitos: sociedade civil, conselho de políticas públicas, comissão de políticas públicas, conferência nacional, ouvidoria pública federal, mesa de diálogo, fórum interconselhos, audiência pública, consulta pública e ambiente virtual de participação social.
O decreto busca estimular as instância já existentes de democracia participativa para que que a formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas públicas tenham participação popular.
Ouça o comentário completo na Rádio Brasil Atual:
Fonte: Rede Brasil Atual

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