Política

PT TEME PERDER MARTA E CHOQUE DELA COM HADDAD

Atento para a repercussão negativa para o PT de novos movimentos da ex-ministra Marta Suplicy, presidente da legenda diz que histórico não recomenda a substituição de candidato à reeleição; nas duas vezes em isso foi feito, perdemos, lembrou Rui Falão, citando casos de trocas de Tarso Genro (RS) e João Paulo (PE); assunto era possível disposição de Marta Suplicy disputar dentro do PT indicação contra prefeito Fernando Haddad; é possível mudar estatuto é transferir decisão para delegados, com menor atrito entre candidatos, suavizou Rui; PT não quer perder Marta, mas não dá espaço a ela

O PT está mesmo preocupado com uma possível dissidência a ser aberta pela ex-ministra Marta Suplicy. Depois de a presidente Dilma Rousseff ter dito, em Doha, no Qatar, que a senadora por São Paulo não havia feito nada de errado ao deixar o Ministério da Cultura com críticas à política econômica, agora foi a vez do presidente do PT, Rui Falcão, buscar uma linha parecida. Ele usou um tom de cordialidade frente a uma possível iniciativa de Marta em concorrer a prévias partidárias contra o prefeito Fernando Haddad, de São Paulo. Mas, mesmo assim, deixou claro que o espaço para Marta, dentro do PT paulista, é bastante restrito.

- Nas duas vezes em que quem pleiteava a reeleição foi substituído não deu certo, afirmou Falcão, antes de participar de seminário da bancada de deputados do partido, em Brasília.

Em 2002 o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), poderia concorrer à reeleição, mas foi derrotado na prévia pelo ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT). O partido, contudo, perdeu a eleição para o governo.

Em 2012 o prefeito de Recife, João da Costa (PT), era candidato e foi impedido pelo partido de concorrer à reeleição por estar mal avaliado. O senador Humberto Costa (PT) foi o candidato e perdeu no primeiro turno.

- Isso é o retrospecto histórico, não quer dizer que o resultado seja o mesmo, suavizou Rui.

O presidente do PT prosseguiu buscando suavidade ao lembrar que uma mudança no estatuto do partido pode evitar a prévia.

- Dois terços do diretório podem decidir encaminhar a discussão para um encontro de delegados, que é mais restrito e diminui os atritos entre os candidatos, comentou.

Marta ainda não declarou publicamente sua intenção de concorrer à Prefeitura da capital paulista, mas a forte presença do nome dela em pesquisas de opinião indicam que ela não vai querer deixar passar a oportunidade nas eleição de 2016. Em 2010, Marta, favorita para o cargo de prefeita em todas as pesquisas, chegou a participar de debates nas bases partidárias com Haddad. No meio do processo, porém, desistiu de sua pré-candidatura sob pressão do ex-presidente Lula, que bancava o nome de Haddad dentro do partido. O ex-ministro da Educação, como se sabe, foi eleito prefeito e, agora, terá a prioridade do partido numa tentativa de se reeleger.

Neste momento, após deixa o Ministério da Cultura com uma carta de demissão em que pediu o resgate da credibilidade do governo por meio de uma nova equipe econômica, Marta já vai sendo sondada por diferentes partidos. O PMDB do vice-presidente Michel Temer é um dos mais interessados na filiação dela para ter boas chances de vencer as próximas eleições municipais na maior cidade do país.

Fonte: Brasil 247

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