Política · Economia

DIA D DA LAVA JATO: PETROBRAS DERRUBA A BOLSA

Ibovespa abriu em queda, com papéis da Petrobras começando a ser comercializados com mais de uma hora de atraso; estatal anunciou ontem que divulgará seu balanço auditado apenas em dezembro; resultado trimestral, esperado para hoje, sai na próxima segunda, diante das investigações decorrentes da Operação Lava Jato; há ainda indefinição sobre novo ministro da Fazenda; índice caía 1,19% às 12h40, a 51.229 pontos, enquanto o dólar chegava a R$ 2,61; perdas da estatal ultrapassaram 5%; agora passam

Por Ricardo Bomfim

Após abertura da Petrobras, Ibovespa mergulha 270 pontos e passa a cair 1,70% Índice abriu em queda em meio a indefinição sobre novo ministro da Fazenda, adiamento do resultado da Petrobras e queda nas vendas do varejo; Ações da Petrobras abrem em queda de 5%.

SÃO PAULO - O Ibovespa abriu em queda nesta sexta-feira (14) com sinalizações confusas do governo quanto à condução da economia. A indefinição na escolha de um novo ministro da Fazenda e a demora para a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias criam um ambiente pouco claro para os investidores. Enquanto isso, dados de vendas do varejo vêm abaixo do esperado. Às 11h40 (horário de Brasília), o índice caía 1,70%, a 50.962 pontos, enquanto o dólar subia mais 1,08%, superando o teto psicológico de R$ 2,60 e ficando cotado a R$ 2,6230.

Ontem a Bolsa foi novamente afetada por rumores a respeito do próximo ministro da Fazenda. Matéria do Valor entrevistou um dirigente do PT que disse ser Nelson Barbosa o nome favorito do partido, o que seria um banho de água fria nos investidores que esperam ainda a indicação de Henrique Meirelles, considerado por muitos a ponte que falta entre o mercado e o governo. Mais tarde, o próprio Barbosa negou que tenha sido convidado a ocupar o Ministério.

Além disso, vale destacar a demora na aprovação da nova LDO, que deve excluir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB, considerada por muitos impraticável, das diretrizes da política fiscal. A lei precisa ser aprovada para que a União possa realizar seus gastos durante o ano.

Um pouco de alento no cenário macroeconômico vem da elevação da avaliação financeira do Brasil pelo Morgan Stanley, de underweight (desempenho abaixo da média do mercado) para equal-weight (desempenho dentro da média do mercado). De acordo com relatório da instituição financeira assinado por Yang Bai e Jonathan Garner, os principais drivers que determinaram o upgrade da avaliação do Brasil foram os indicadores técnicos de sobrevenda, múltiplos mais baixos após sell-off e a melhora nas estimativas de resultados.

Além disso, o IBGE divulgou vendas do varejo, que tiveram uma alta de 0,4% em setembro na comparação com o mês anterior. O crescimento, no entanto, ficou abaixo dos 1,2% registrados em agosto.

Destaques Pesa forte no pregão desta sexta o adiamento da divulgação do resultado da Petrobras. Hoje seria o prazo máximo por lei para que a petroleira divulgasse o seu balanço trimestral, mas a estatal, mesmo assim, acabou postergando a divulgação. A empresa deve ser punida por isso, o que se soma aos inúmeros problemas que ela vem sofrendo como a defasagem nos preços dos combustíveis e as denúncias de corrupção na companhia. O ex-diretor de Serviços da companhia foi preso na manhã desta sexta-feira, durante a Operação Lava Jato. As ações ON e PN da Petrobras (PETR3; R$ 12,52, -4,65%; PETR4; R$ 12,93, -4,93%) despencam na abertura.

A BM&F Bovespa postergou o call de abertura das ações da estatal após a divulgação de um fato relevante pela estatal. Em vez de abrirem às 10h, os papéis só começaram a ser negociados às 11h36.

A CSN (CSNA3, R$ 7,04, -3,56%) cai mais de 3% na abertura da Bolsa desta sexta-feira, após a companhia divulgar resultados do terceiro trimestre. A companhia divulgou seu resultado na manhã desta sexta-feira, revertendo lucro de R$ 499,7 milhões em prejuízo consolidado de R$ 250 milhões, de acordo com a empresa, basicamente pelo menor resultado operacional no trimestre. Já a receita líquida atingiu R$ 3,9 milhões, uma redução de 17% em relação aos R$ 4,7 milhões registrados em igual período do ano passado. O Ebitda ajustado da companhia ficou em R$ 977 milhões, uma queda de 41% na comparação com igual período do ano passado, quando ficou em R$ 1,65 bilhão.

A Kroton (KROT3; R$ 16,57, -2,36%), ação com melhor desempenho do Ibovespa no ano divulgou resultado. Segundo a XP Investimentos foram números absolutos fortes, mas uma piora no operacional e margens, dado o menor patamar de rentabilidade e crescimento que a Anhanguera se encontra. Considerando a competência do management já comprovada, vemos bastante espaço para captação de sinergia com a fusão e melhora operacional no curto/médio prazo.

A BM&F Bovespa (BVMF3; R$ 9,80, -0,61%), caia por conta do resultado da empresa divulgado ontem depois do pregão. O lucro líquido foi de R$ 238,4 milhões, ante R$ 233 milhões no terceiro trimestre de 2013. A empresa teve receita total de R$ 594,7 milhões no terceiro trimestre de 2014, estável em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com o rali eleitoral, a empresa não conseguiu entregar uma evolução significativa em termos de seus resultados operacionais, segundo a XP Investimentos.

Fonte: Brasil 247

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