Brasil

WHATSAPP, O DELATOR


O universo das pessoas hoje cabe na palma da mão. Não é metáfora e nem eu estou de brincadeira. Falo sério.

Sabe o whatsapp? Ele se tornou o habitat natural de uma enorme fatia da sociedade contemporânea. Pelo menos 600 milhões de pessoas no mundo passam um tempo (às vezes grande) nele. Por que?

Os motivos são vários: não pagamos para usá-lo, resolvemos problemas sem termos que usar necessariamente a voz para solucionarmos (falamos no whatsapp enquanto estamos presencialmente com outras pessoas), usamos a voz pra gravar mensagens pra outro(s) sem ter que necessariamente estender a conversa ao telefone ou ser interrompido em nosso raciocínio, criamos grupos de interesse comum, mandamos fotos diversas inclusive de onde estamos e do que estamos fazendo, compartilhamos o lugar onde se estamos (um jeito de provar que estamos mesmo ali!), e, sobretudo, temos pequeninas diversões entre os memes, emojis e piadas que mandamos uns pros outros.

Quem não o usa, não deve estar entendendo muito bem isso tudo, mas quem tá nele, deve estar acenando positivamente com a cabeça agora e até sorrindo.

Whatsapp é deliciosamente viciante e o melhor tamos-ai-pra-qualquer-parada dos últimos tempos - o melhor 1001 utilidades que já vi.



Mas, como não há almoço de graça (desculpem pela tradução literal do ditado em Inglês), o whatsapp tem seus efeitos colaterais.

Com tanta facilidade ao alcance das mãos, tende-se a controlar mais tudo e todos. Onde cê tá? O que comprou? Como tá seu cabelo? Quem tá ai? Manda foto.

E o controle vai além. Mandamos mensagens e ansiamos pela resposta. E aí começamos a desenvolver uma rotina quase paranóica de checar de tempos em tempos se a pessoa na nossa mira entrou no whatsapp (pelo registro de sua última visualização) e se respondeu.

Quando vemos que a pessoa-alvo entrou e não falou com a gente, é inevitável, ficamos bolados. Os mais razoáveis tentam compreender: não teve tempo de responder, nem deve ter visto o que mandei com tantas mensagens, vai responder já já, conheço ele, daqui a pouco mando carinha triste.

Isso chateia mas passa. Passa?

Passava.

Desconfio que a partir de agora (e essa novidade vem ocupando o noticiário dos grandes veículos) que o whatsapp além de contar quando a pessoa entrou nele pela última vez, nos mostra quando a pessoa leu a sua mensagem, teremos uma espécie de 3ª Guerra Mundial entre relações sociais, profissionais, familiares e, sobretudo, amorosas.

Coitados dos que leram e deixaram pra responder depois. Não vão ter desculpa. Os já famosos 2 tiques azuis do whatsapp vão provocar muita confusão. Saudades de quando eles eram só verdes.

Whatsapp - onde o azul ?(dos tiques) ?é a cor mais bélica e onde a vida real acontece do jeito que ela é - entre tapas e beijos.

Fonte: BIA WILLCOX

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