Política · Economia

FOLHA ESQUECE ALCKMIN E CRITICA MEDIDAS DE ECONOMIA DE HADDAD

A Folha se superou na tentativa de tirar o foco do governador de São Paulo Geraldo Alckmin. A publicação caiu em cima do prefeito Fernando Haddad, colocando o decreto de que escolas terão que economizar 20% de água de forma a torná-lo o grande vilão nesta crise hídrica. A população do estado de São Paulo está sendo instada a economizar os 20% de água sob pena de multa em conta emitida pela Sabesp, o que também não foi lembrado no texto. O jornal esmera-se em criminalizar a ação do prefeito dando voz a um médico infectologista que considera criminosas impedir a criança de escovar dentes na escola, bem como substituição de refeições por sanduíches, o que diminui o volume de pratos a serem lavados. O jornal, de novo, busca grudar o problema da água ao município, isentando de forma inconsequente o governador Geraldo Alckmin. Leia a matéria a seguir.

Funcionários acompanharão alunos no banheiro para evitar desperdício em SP

Infectologista aponta chance de complicações seriíssimas nos alunos; prefeitura cobra 20% de economia nos gastos


THAIS BILENKY DE SÃO PAULO

Em meio à crise da água, escolas da rede municipal de São Paulo retomam as aulas nesta quarta-feira (4) com medidas extremas. Crianças serão proibidas de escovar os dentes. Outras receberão a chamada merenda seca --sanduíches em guardanapos, em vez de refeições em pratos, que precisam ser lavados.

Algumas unidades destacaram funcionários e ou professores para acompanharem os alunos no banheiro, evitando, assim, o uso excessivo de torneiras e descargas.

As atitudes são uma resposta a decreto do prefeito Fernando Haddad (PT) que obriga as escolas municipais a reduzirem em 20% o consumo de água.

A Folha esteve em seis colégios na zona norte de São Paulo nesta terça-feira (3).

Em três unidades, diretores disseram que, em vez de lavar as mãos com água e sabão, as crianças serão orientadas a usar álcool em gel.

Em um desses colégios, não será mais permitido tomar água diretamente do bebedouro. Cada estudante terá uma caneca, e professores supervisionarão o consumo.

Gestores afirmaram que os docentes deverão trabalhar o tema da crise da água em classe, como forma de conscientizar alunos e famílias.

A medida pode beneficiar a mãe Tatiane Silva, 32. Ela diz que falta água em sua casa diariamente e que depende da colaboração dos filhos, matriculados em uma das escolas visitadas, para poupar o necessário. Quando eles lavam louça, tenho que ir lá fechar a torneira, afirma.

Nas unidades, a lavagem de pátios, quadras e corredores será feita com vassouras e, se necessário, com baldes de água e panos. O uso de mangueiras foi suspenso.

Para o médico infectologista Caio Rosenthal, algumas dessas medidas são criminosas. Proibir alunos de escovar os dentes pode causar cáries, infecções e complicações seriíssimas, diz.

Substituir refeições por sanduíches, se tiverem menor valor nutricional, é discriminatório, em sua opinião.

Supõe-se que são crianças que não têm refeição de excelência em casa. Baixar o nível também na escola é inadmissível, diz. Se há estado de guerra, quem deve ir para o front é o soldado, não a criança. Ela terá que pagar pelo resto da vida por um descuido das autoridades?

MANGUEIRA

Enquanto alguns colégios adotam medidas drásticas para reduzir o consumo de água, em uma escola de ensino fundamental na Freguesia do Ó, a rotina não mudou.

Segundo uma funcionária, a diretora ordenou duas lavagens com mangueira em menos de uma semana para receber os alunos.

A caixa-dágua de 3.000 litros teria sido esvaziada mais de uma vez com essa finalidade. Quando a reportagem esteve no local, havia poças nos corredores, quadras e pátios, e o piso dos banheiros estava úmido.

Procurada, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que as medidas recomendadas para as escolas são uso racional da água, manutenção das redes hidráulicas com problemas e reforço nas orientações aos alunos.

Fonte: Jornal GGN

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