Justiça

PML: “MARCO AURÉLIO MOSTROU QUE O REI ESTÁ NU”

Ministro do STF apontou o dedo para uma situação que muitos enxergam, mas por interesse político, covardia ou conforto pessoal, preferem fingir que não estão vendo — os abusos da Operação Lava Jato contra as regras do Estado Democrático de Direito, escreve Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; jornalista lembra do Caso Dreyfus: Imagine que o mais conhecido erro judiciário da história universal, envolvendo um oficial do Exército francês colocado a ferros sob o sol inclemente da Guiana sob a falsa acusação de vender segredos militares para o Exército alemão, só pode ser desmascarado graças a uma atitude semelhante; e conclui que nossa sociedade do espetáculo não precisa de heróis nem de justiceiros. Mas necessita de autoridades que tenham a coragem de cumprir seus deveres

Ao dar sua opinião sobre a Operação Lava Jato, comandada pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Civil de Curitiba (PR), o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello mostrou que o rei está nu, avalia Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília. O magistrado, diz ele, apontou o dedo para uma situação que muitos enxergam, mas por interesse político, covardia ou conforto pessoal, preferem fingir que não estão vendo — os abusos da Operação Lava Jato contra as regras do Estado Democrático de Direito.

A crítica de Marco Aurélio se referia ao mandado de condução coercitiva contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que não havia se recusado a prestar depoimento sobre o caso, mas que acabou sendo alvo de um espetáculo. A TV mostrou imagens grotescas de policiais pulando o muro da casa de Vaccari, cena destinada a criar um espetáculo vergonhoso de faroeste para os telejornais, descreve PML, que opina em seguida: A finalidade destas cenas nós sabemos: ajudam a criminalizar os acusados, permitem que sejam vistos como cidadãos condenáveis, capazes de atos criminosos — sem um fiapo de prova. Essa é a função do espetáculo.

O colunista lembra, em artigo em seu blog no 247, do Caso Dreyfus. Imagine que o mais conhecido erro judiciário da história universal, envolvendo um oficial do Exército francês colocado a ferros sob o sol inclemente da Guiana sob a falsa acusação de vender segredos militares para o Exército alemão, só pode ser desmascarado graças a uma atitude semelhante. E conclui que o que se aprende, aqui, é uma lição bastante simples. Nossa sociedade do espetáculo não precisa de heróis nem de justiceiros. Mas necessita de autoridades que tenham a coragem de cumprir seus deveres, como guardiões das verdades duras e os direitos de pedra que estão na Constituição.

Fonte: Brasil 247

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