Economia

O "BODY ELÉTRICO" DO DR. JOAQUIM LEVY

Do relatório do IBGE sobre a inflação de março:

“Mais da metade do índice de março ficou na conta da energia elétrica, cujo aumento médio de 22,08% gerou 0,71 ponto percentual (p.p.) de impacto, o mais expressivo do mês, que representou 53,79% do IPCA. Com a entrada em vigor, a partir de 02 de março, da revisão das tarifas aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual, para cobrir custos das concessionárias com a compra de energia. Na mesma data, houve reajuste de 83,33% sobre o valor da bandeira tarifária vigente, a vermelha, passando de R$ 3,00 para R$ 5,50.”

Realismo tarifário, apenas?

Chamem o mais selvagem neoliberal para administrar a economia e ele não deixará de administrar a gradualidade das correções tarifárias, a menos que…

A menos que queira, com o choque – neste caso, elétrico – desencadear outras reações na economia.

Uma, claro, é evidente: a redução do consumo de forma a espantar de ver o fantasma do racionamento em razão do regime de chuvas dramaticamente baixo até fevereiro passado.

A outra, perigosa mas antiga, é o “bode na sala”.

Para quem não conhece, põe-se um bode na sala e todos reclamam do fedor.

Aí, tira-se o bode e a sensação é de alívio e há até quem ache a sala perfumada.

Não deveria surpreender ninguém, pois no final de dezembro, já com Levy no comando do planejamento econômico, o próprio BC já anunciava:

“A inflação acumulada em 12 meses vai atingir seu pico no primeiro trimestre de 2015, segundo o Banco Central, e iniciará um longo período de declínio a partir do segundo trimestre do próximo ano.”

Como naquela folclórica história da conversa entre Garrincha e o técnico Vicente Feola, sobre seus planos para enfrentar a seleção da extinta URSS, o problema é “combinar com os russos”.

O porque os aumentos de preço trazem sempre algum “carry-over”, sua transmissão, pela expectativa de inflação, para novas elevações.

E isso só não acontece com quedas de consumo, como as que estão sendo registradas uma após outras.

Quem gosta de recessão para “arrumar a casa” não pode reclamar, portanto, que ela doa. Dói.

O deus Mercado exige sacrifícios em seu altar.
E não é do capital.

Fonte: Tijolaço

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