Política

'ABRIRAM-SE AS PORTEIRAS PARA A SUPEREXPLORAÇÃO DOS TRABALHADORES', DIZ VICENTINHO

Deputado atribui aprovação de projeto ao crescimento da bancada pró-empresas e a redução da representação dos trabalhadores na Câmara, e alerta: 'Não dá para o povo pobre ficar votando no povo rico'

Vicentinho, durante protesto na terça (7) contra o PL 4.330, em que a PM voltou à truculência: Firmes e corajosos

Para o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), a aprovação pela Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (8), do Projeto de Lei 4.330, que amplia a terceirização, abre caminho para precarizar, de vez, os direitos dos trabalhadores no Brasil. Em entrevista a Thelma Torrecilha, da Rádio Brasil Atual, Vicentinho diz que infelizmente o resultado era previsível, dado o aumento do número de deputados que defendem os interesses empresariais e a redução da bancada dos deputados ligados aos trabalhadores.

Éramos 87 deputados ligados diretamente aos interesses dos trabalhadores e, nesta eleição, caímos para 47. Deputados negros eram em torno de 12% e agora são 4%. No lugar, entraram grandes fazendeiros e grandes empresários, comentou. Ele prevê novos problemas para a classe trabalhadora durante a atual legislatura.

Vicentinho faz o alerta: Não dá para trabalhador ficar votando em patrão. Eles têm os seus interesses, que são antagônicos aos dos trabalhadores. Não dá para o povo pobre ficar votando no povo rico.

O deputado lamenta que tenham preterido o projeto de sua autoria sobre o mesmo tema, que foi criado a partir das instâncias da CUT, ouvindo a dura realidade dos trabalhadores e que, segundo ele, defendia direitos iguais para o trabalhador terceirizado e não terceirizado.

De acordo com esse projeto aprovado qualquer empresa pode terceirizar tudo, absolutamente tudo, ressalta o deputado, que espera que o Senado faça alterações no texto, principalmente em relação à restrição da terceirização para atividades-fim, e sobre a responsabilização solidária das empresas, em que contratada e contratante respondem à Justiça simultaneamente, em caso de desrespeito aos direitos do trabalhador.

O deputado diz que essas questões também serão votadas, em destaques, na Câmara, na próxima semana. Mas, dado o resultado da votação do texto principal, Vicentinho mantém poucas esperanças de reverter o quadro.

Fonte: RBA

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