GLOBO EM CRISE LIDERA GOLPE CONTRA DILMA, SEGUIDA DE ESTRAGÃO, ABRIL E FALHA

O jornal Folha de S. Paulo, dirigido por Otávio Frias Filho, assumiu, neste domingo, sua adesão ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, no editorial Sem passo atrás (leia mais aqui). O motivo: as chamadas pedaladas fiscais, condenadas pelo Tribunal de Contas da União. O tribunal também poderá recomendar ao Congresso a rejeição das contas do governo Dilma, o que seria inédito e permitiria, em tese, a abertura de processo de impeachment contra a presidente, diz o texto dos Frias.
Também neste domingo, o jornal Estado de S. Paulo, da família Mesquita, defendeu o golpe sob o mesmo argumento, no editorial TCU põe governo contra a parede. No texto, o jornal dirigido por Francisco Mesquita Neto defende que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) vá às últimas consequências em sua sanha golpista.
No Globo, quem, muitas vezes, fala pelos Marinho é o colunista Merval Pereira. Embora mais cauteloso, também centrou fogo na questão fiscal. A questão do TCU pode tecnicamente embasar um pedido de impeachment hoje, mas ainda precisa de mais elementos para ser um processo fechado. É preciso dar os prazos todos para o processo, ter provas concretas, mas ainda não há isso; não há ainda nenhuma denúncia direta contra a Dilma, disse ele.
Em Veja, comandada por Giancarlo Civita, derrubar governos trabalhistas sempre foi e sempre será defensável, qualquer que seja o motivo.
A escolha dos grupos de mídia pela questão fiscal, no entanto, se dá por puro pragmatismo. Como não há nem haverá qualquer denúncia que associe a presidente Dilma Rousseff a escândalos de corrupção, o pretexto encontrado foi um mero ajuste fiscal, que, segundo o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, é prática recorrente desde 2001 – ou seja, desde o governo FHC.
Interesse público ou privado?
Para um país que acabou de sair de uma eleição, chega a ser espantoso que um detalhe contábil possa servir de pretexto para anular 54 milhões de votos. Ou seja: em tempos normais, dificilmente grupos de comunicação abraçariam um golpe por uma razão tão banal, do ponto de vista político.
O Brasil, no entanto, vive dias atípicos, numa histeria coletiva que é potencializada pela crise dos meios de comunicação. Neste mês de abril, o jornal Estado de S. Paulo anunciou 120 demissões. A Folha veio, em seguida, com o corte de 50 profissionais. Por último, foi a vez de Veja demitir 40 pessoas e anunciar o fechamento de dois suplementos.
A crise da mídia impressa é consequência direta da migração do leitor da informação em papel para plataformas digitais – o que provoca a fuga de anunciantes públicos e privados ou, no mínimo, a revisão dos valores dos patrocínios.
Nesse cenário conturbado, fica a questão: as famílias midiáticas são movidas por interesses nacionais ou particulares? Querem a mesmo a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal ou apenas sonham com um melhor acesso a verbas públicas e com a restauração do antigo status quo?
Fonte: 247

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