Brasil

Belém fará 400 anos tomada pelo lixo

menos de três meses de completar 400 anos de existência, Belém do Pará não tem muito do que se orgulhar em seu aniversário. A cidade precisa de uma faxina geral, caso não queira passar vergonha na frente dos convidados para as comemorações. É fácil andar por Belém e encontrar sacos de lixo amontoados perto das pistas, mato tomando conta das calçadas quebradas e bueiros abertos.

Retrato dessa situação está na rua Fernando Guilhon com a travessa Carlos de Carvalho, no bairro do Jurunas. Próximo à parada de ônibus, figura um aglomerado de restos de alimentos e móveis velhos, além de um bueiro aberto. “Isso não era para estar assim. Se o governo quisesse trabalhar e mudar isso, eles ajeitariam em um, dois dias. Quando eles querem, vão e fazem.”, reclama o comerciante Raimundo de Oliveira, 55.

DROGAS

Na rua dos Munducurus com as travessas Monte Alegre e Bom Jardim, o que deveria ser uma calçada repleta de árvores para os pedestres andarem virou um depósito de lixo. Ninguém quer passar pelo local, cheio de entulhos e mato. As pessoas optam por caminhar na pista, próximo aos carros.

Na esquina da Bom Jardim, três bancos de concreto indicam que o local servia de praça para as famílias do bairro. A autônoma Fátima Siqueira, 57, diz que à noite o local é utilizado para o consumo de drogas. “Está lamentável. Horrível. Não tem como andar nesse lugar. É só lixo e mato. A praça está abandonada. Ninguém ajeita nem vem aqui para capinar”, enfatiza ela.

Na rua Breves com a rua dos Tamoios, ainda no Jurunas, a mesma cena se repete. É possível enxergar pela extensão da via, no mínimo, cinco montantes de lixo na calçada. O que chama mais atenção na mesma rua é a calçada da lateral da Escola Estadual Plácida Cardoso. Entre restos de construção estão um vaso sanitário, móveis e até descartes de carcaças de animais mortos.

“Isso virou lixão. Todo dia a gente passa por aqui e o cheiro está horrível. É cachorro, gato morto e os urubus ficam voando por cima. Falta saneamento para Belém”, protestava a doméstica Isabela Santos, 49. De repente, um carro com quatro trabalhadores de limpeza da Secretaria de Saneamento de Belém (Sesan) passa pelo local. Porém, ninguém para para recolher o lixo.

Pedreira: carro de lixo sumiu e sujeira toma conta da rua

Na Pedreira, na passagem F com o canal São Joaquim, o morador Flávio Augusto Barbosa, 25, conta que desde a última sexta-feira (23) o carro de lixo não passou mais. Com isso, a sujeira fica toda acumulada em um terreno abandonado no canto da rua. “Só fizeram tirar o lixo que estava jogado no meio da rua e o resto jogaram aí nesse terreno”, reclama.

O canal São Joaquim é outra reclamação do morador. Há muito mato no local. Durante as chuvas, o cheiro fica insuportável. Segundo Flávio, o canal só é limpo quando a prefeitura comemora alguma data especial, como o aniversário de Belém. “O canal está abandonado. A Prefeitura faz a limpeza e depois para. Quando tem algum evento da Prefeitura, aí eles limpam. Só assim”, destaca.

ABANDONO
A aposentada Judite Pereira, 79, se entristece ao ver o local onde mora há 40 anos sem o mínimo de condições básicas de saneamento. No mês passado, os moradores chegaram até a encontrar uma cobra dentro do canal.

“É uma tristeza para a nossa Belém. Esse canal tem muito bicho. Os bombeiros vieram e tiraram mês passado a cobra daí. Ela tinha mais de dois metros. Tem bandido que se esconde nos entulhos nesse terreno abandonado para roubar e fumar drogas”, denuncia.

(Renata Paes/Diário do Pará)

Fonte: Diário do Pará

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