Brasil

Os homens de papelão

Vendo as duas “fotos de campanha” – a de Aécio em 2014 e a de Moro em 2016 – veio-me a ideia de falar dos homens de papelão.

Não porque façam “papelão”, porque isso é só consequência.

Mas pela matéria de que são feitos.

Macerada, esmagada, conformada, laminada e pronta e empacotar qualquer coisa, não lhes importa o conteúdo, que possa ser objeto dessa fria idolatria do boneco de papelão.

Não é, como tantas vezes eu pessoalmente vi e vivi, o contato do homem público com as pessoas, com o povão.

Não é uma via de mão dupla, onde o homem público alimenta as esperanças do povo porque absorve as esperanças deste povo e as encarna.

Não há carne nem sangue, é só uma fria lâmina de papelão.

É o produto da marquetagem: gente sem história, sem passado onde se contenham lutas, provações, conquistas.

É o Brasil cenográfico, onde nada é de verdade, mas até parece, visto assim nas fotos, na tevê, nos jornais.

E como num cenário, o que se passa ali é ficção, é roteiro previamente traçado, constantemente ajustado para ser o que puder ser de envolvente, de convincente, de ilusório.

E que faça o público cativo.

Cativo em todos os sentidos, envolvido pelo papelão dos homens moldados para contê-lo.

Fonte: Tijolaço

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