Política

Para Delfim, grampo anulou efeitos da ida de Lula para o governo

Jornal GGN - Delfim Netto, ex-ministro, acredita que a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil teria o potencial de levar o PT a apoiar a presidente Dilma e convencer a base política a aprovar as medidas para o reestabelecimento do equilíbrio fiscal, mas que a divulgação dos grampos acabou tirando as chamadas condições norrmais de pressão e temperatura.

Em sua coluna no Valor, Delfim diz que, a partir de agora, o tempo político será conduzido pelo processo de impeachment na Câmara dos Deputados, e também condicionado pelas próximas revelações da Operação Lava Jato, ambos insensíveis à enorme urgência do tempo econômico, cada vez mais acelerado, afirma. Leia mais abaixo:

Do Valor

Pano rápido, por favor!

Delfim Netto

Mesmo os críticos mais tolerantes e com discreto viés pró­-governo estão perplexos com a sua falta de habilidade na condução de um processo político-econômico que se auto-alimenta e se agrava exponencialmente. Tudo lhe é adverso, mas é inútil insistir que não são consequências diretas de suas próprias ações.

Tentar construir a teoria que o Executivo é vítima de uma conspiração da burguesia reacionária paulista faz pouco da inteligência nacional e tem baixa probabilidade de êxito. Tentar estimular, artificialmente, um conflito com o Legislativo e o Judiciário é perigoso para a consolidação do sistema democrático. Felizmente, no comício do dia 18, em São Paulo, o ex-presidente Lula revelou, mais uma vez, o seu pragmatismo e a sua inteligência. Reincorporou a persona do Lula paz e amor que sabe ser a única compatível com o respeito às nossas instituições.

Tudo isso tem um ar abstrato, mas esconde uma formidável tragédia. Mesmo com o bom programa econômico proposto pelo ministro Nelson Barbosa e os quietos avanços da ação dos ministros Valdir Simão, Armando Monteiro e Kátia Abreu, o sentimento da sociedade é que o governo está paralisado, cuidando apenas da sua própria salvação.

Em condições normais de pressão e temperatura, é provável que a nomeação do ex­-presidente Lula para a chefia da Casa Civil tivesse condições de levar o PT a apoiar Dilma e cooptar a velha base política para aprovar as medidas constitucionais propostas para restabelecer o equilíbrio fiscal estrutural, primeiro passo para voltarmos ao crescimento econômico e ao aumento do emprego.

Por quê? Primeiro, porque o PT sem Lula será sempre um pequeno partido reacionário controlado pelo funcionalismo público e pelo sindicalismo míope, que se opõem ao progresso tecnológico. Segundo, porque talvez ele tivesse condições (ainda que seja um pouco tarde) de recuperar a confiança do PMDB, que Dilma, imprudente e inutilmente, dividiu. Terceiro, porque teria condições de compor com os menores, mas agressivos, partidos da esquerda. Quarto, porque os partidos de oposição (PSDB e DEM) viriam por gravidade, uma vez que não teriam condições de votar contra elas.

Fonte: GGN

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