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Procurador da Lava Jato diz que só investigará o governo do PT

Mesmo propinas tendo iniciado no governo Sarney, FHC na Petrobrás, Procuradores decidem só investigar o PT, golpe ou não?

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O procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho, integrante da Lava Jato, rebateu nesta terça-feira (29) críticas feitas à operação. Em palestra realizada em São Paulo, o procurador disse que as investigações da força-tarefa não são seletivas e que elas só não irão retroagir aos governos anteriores aos comandados pelo PT por causa do que ele chamou de famigerada prescrição de crimes.

Carvalho classificou como algo inócuo e juridicamente inviável investigar crimes praticados antes de 2003, quando teve início o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Carvalho, só faria sentido investigar casos antigos se fosse possível aplicar uma pena superior a oito anos por um só crime. O procurador afirmou que penas com essa duração não têm sido aplicadas nem para crimes praticados mais recentemente.

Também disse que o foco da Lava Jato é a base governista porque as investigações revelaram um esquema de empresas e órgãos e da administração pública federal beneficiando partidos que controlam a administração federal, sobretudo para o financiamento de campanhas eleitorais dessas legendas.

Não faria sentido que [o esquema] fosse colocado à disposição da oposição para que ela arrecadasse dinheiro para suas campanhas usando o governo federal. Não estou dizendo que eles [os partidos de oposição] não fazem isso. Mas imagino que se façam, fazem nos governos que controlam e não nos governos que são controlados por outro partido, declarou.

O que tem surgido de fios condutores de investigações que possam levar a outros esquemas [de corrupção] fora da Petrobras estão sendo conduzidos pela força-tarefa da operação ou serão encaminhados às instâncias competentes.

No caso da Petrobras, o procurador disse que os únicos indícios de que a oposição teria recebido dinheiro desviado durante os governos do PT referem-se ao período em que a estatal foi investigada por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). A corrupção teria, nesse momento, o objetivo de evitar que a investigação parlamentar se aprofundasse.

Ele também classificou como teoria da conspiração a ideia de que a Lava Jato teria como objetivo destruir o PT. Seria um absurdo você imaginar que todas as pessoas conseguiram estar no mesmo lugar, na hora certa, no momento certo, todos com a mesma mentalidade, com o objetivo púnico de acabar com o partido, declarou depois de lembrar que a força-tarefa da operação conta com uma equipe de procuradores, delegados da Polícia Federal, auditores da Receita Federal e um juiz.

Carvalho apresentou a palestra Lava Jato: desafios e resultados durante o simpósio Combate à corrupção: desafios e resultados. Casos Mãos Limpas e Lava Jato, promovido pela Procuradoria Regional da República da Terceira Região (SP/MS) e dirigido a integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Também fizeram palestras no simpósio o juiz federal Sérgio Moro, o italiano Piercamillo Davigo, magistrado integrante da força-tarefa Mãos Limpas; e Rodrigo Chemim, procurador de Justiça do Paraná.

Fonte: uol

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