Cardozo: “É de receber dinheiro de Furnas que Dilma é acusada?”

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, comparou as acusações contra a presidente Dilma Rousseff com as feitas contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao apresentar a defesa do governo na comissão especial que analisa o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira 11.
Um dos principais defensores do golpe, Aécio e acusado de coordenar um esquema de corrupção em Furnas e citado várias vezes por delatores diferentes na Operação Lava Jato. Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro e dono de contas bancárias não declaradas na Suíça, por onde recebeu ao menos US$ 5 milhões em propina.
É de receber dinheiro de Furnas que Dilma é acusada? É de ter contas no exterior?, questionou Cardozo. Sobre o que ela tem que responder? Vossa excelência não disse, acrescentou, em referência ao relator da comissão, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que defendeu o afastamento da presidente em seu relatório.
Cardozo lembrou ainda que Cunha teve direito a vários recursos em seu julgamento, diferente da presidente, e lembrou que as chamadas pedaladas fiscais já eram prática conhecida e aprovada por tribunais de contas e pelo Congresso em governos anteriores. Por que a nossa é de má-fé e a outra é correta?, perguntou o ministro.
Segundo o chefe da AGU, o processo de impeachment é nulo por vícios de origem. A história não perdoa a violência da democracia. E um próximo governo fruto dessa situação não terá legitimidade. Se consumado, deve ser chamado golpe. Golpe de abril de 2016, finalizou Cardozo.
Fonte: Brasil247

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