Singer: Temer levou PMDB à liderança do golpe

Em artigo deste sábado, 16, cientista político e professor da USP André Singer afirma que o país está outra vez dividido, independente do resultado da votação deste domingo, 17. Mas quem radicalizou?, questiona.
A decisão chave foi tomada pelo presidente da Câmara em dezembro passado, ao considerar aceitável pedido de impedimento frágil e insuficiente. No entanto, a ousadia do questionável Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sempre considerado ponto fora da curva no mundo peemedebista, teria ido para o lixo histórico caso outros três fatores não tivessem se acoplado. Dentre eles, o propriamente político foi a traição de Temer, afirma Singer.
Singer menciona equívocos do governo da presidente Dilma Rousseff, como adotar o discurso da oposição como política deseu governo, além dos estragos causados pela condução partidarizada da operação Lava Jato, e da extraordinária amplitude que a televisão deu às acusações antipetistas.
Nada, contudo, teria se efetivado caso o PMDB, comandado pelo vice-presidente da República, tivesse cumprido a missão conciliadora que afirma perseguir. Em lugar de isolar Cunha e promover o acordo que Lula sempre buscou, Temer levou o seu partido à liderança do golpe constitucional que tenta afastar a alternativa popular não só do governo como da luta pelo poder. Desta vez, diferentemente de 1964, não há um Brizola, à esquerda, que se possa acusar de ter posto fogo no circo. Os centristas o fizeram, afirma.
Fonte: Brasil247

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