Brasil pode precisar aumentar impostos, diz Ministro de Temer

Um dia depois de a Câmara aprovar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma, Henrique Meirelles, um dos cotados para a Fazenda em um eventual governo Michel Temer, já a dava a página por virada.
É importante olhar para a frente, disse o ex-presidente do BC em evento em Nova York nesta segunda (18).
Sobre a possibilidade de assumir a Fazenda, Meirelles disse que não comenta nenhum tipo de conversa particular. Indicou, contudo, o que faria para assegurar que o Estado brasileiro recupere a confiança.
O ex-presidente do Banco Central não descarta a hipótese de aumentar impostos, o que talvez seja necessário, mas claramente temporário.
A lista de Meirelles inclui ainda a reforma tributária. Para ele, o calcanhar de Aquiles do país está mais na complexidade tributária do que no tamanho dessa carga, o que afeta empresas e afugenta investimentos do país.
Sem as reformas necessárias, não espere um PIB fortalecido em dez anos, alertou o presidente do BC.
Na sua apresentação, ele projetou três cenários para a expansão do PIB na próxima década: 1,2% se nada for feito, 2,6% com ajustes básicos e 4% com reformas efetivas.
FUTURO INCERTO
Também presente ao evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, o secretário de Política Econômica, Manoel Carlos de Castro Pires, disse que é preciso pensar a curto, médio e longo prazo e atravessar a tempestade política para chegar ao verão.
Nomeado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, há quatro meses, Pires disse à Folha que a ordem é continuar trabalhando, ainda que o futuro da atual administração seja incerto.
Independentemente da crise, vamos deixar a agenda necessária [para a recuperação da economia]. Os desafios econômicos são os mesmos, seja qual governo for.
O secretário tentava passar algum otimismo para a plateia de investidores. Ele próprio, contudo, elencava dados pífios do desempenho da economia nacional.
Caso se cumpra a previsão de queda do PIB pelo segundo ano consecutivo, após encolhimento de 3,8% em 2015, será um fato inédito desde os anos 1930.
Pires afirmou que era difícil dar à agenda econômica a importância que ela precisa, mas, assim que a tempestade passasse, o governo apresentaria políticas para retomar o caminho do crescimento, entre elas a reforma da Previdência.
MAIS AUSTERIDADE
Carlos Kawall, economista-chefe do Safra, que também esteve no encontro, pediu mais austeridade e menos crédito subsidiado. Estamos exatamente no tipo de situação pela qual países europeus passaram, disse, lembrando de crises em Portugal e Grécia.
Sugeriu a adoção de medidas impopulares, como redução de salário por meio de jornadas parciais de trabalho.
Para Kawall, a bala de prata na crise seria uma emenda constitucional que desse ao governo mais mobilidade para cortar despesas orçamentárias.
Fonte: Folha

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