O mundo das mulheres não será mais de dondocas ou de escravas

Não escreveria se não tivesse “saído na Veja“.
Mas poderia ter sido na Caras.
Não escreveria pelas mulheres de hoje, que sabem, podem e defendem sua capacidade e sua condição de seres humanos plenos.
Não escreveria, portanto, escrever por si próprias.
Não tenho nada com o que cada um faz de sua vida, é meu princípio. Muito menos com quem casa, como encara o trabalho, como encara a vida familiar. Não é assunto para mim ou para ninguém.
Escrevo apenas por duas pessoas que me dizem respeito e que não estão mais aqui para se manifestarem diante desta pobre redução do papel de uma mulher.
A minha avó, que pedalou anos uma velha máquina de costura da Singer para ajudar a manter os filhos. E minha mãe, que se esfalfou em dois empregos, por anos, para fazer o mesmo.
Cada um tem o direito de ser como quiser, repito, mas a glamourização da mulher “recatada e do lar” é uma ofensa à imensa maioria de mulheres trabalhadoras e independentes.
Quem quiser e puder ser, problema seu. Mas não serve de modelo, porque a mulher, que sempre trabalhou, é capaz de exercer qualquer atividade, de ter o comportamento pessoal que bem desejar e viver plenamente as suas capacidades e vontades.
Aquela é, felizmente, uma espécie em extinção e é preciso extinguir também entre nós, homens, a visão de que isso é ser companheira ou a condição a que se pode obrigar alguma mulher, tirando-a do trabalho e, por isso, quase que a encarcerando “no lar”.
É um dever de qualquer ser humano, de qualquer sexo, se levantar contra esta violência moral que se quer fazer com a regressão das conquistas femininas e ela existe, como mostrou Mario Magalhães, no UOL, ao recolher, como esterco, as palavras do deputado Marco Feliciano, expoente destas trevas:
“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos.
A este imbecil, que provavelmente agride a própria mãe ou sua memória, eu felizmente posso dizer: você pode querer viver na pré-história, mas a pré-história não vai voltar a acontecer neste mundo.
Gente como ele deve estar se comprazendo com a comparação do que se exibe com a Presdenta que está derrubando.
Mas o mundo das mulheres nunca mais será o das dondocas nem o das escravas.
Fonte: Tijolaço

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.