Brasil

Com golpe consumado, Moro pede tolerância com corrupção sistêmica

Em palestra proferida no Paraná, pede tolerância com corrupção sistêmica e "união'' num momento em que Temer indica 7 ministros réus na Lava Jato

SÃO PAULO - O juiz Sérgio Moro disse que é preciso apaziguar o país, agir com racionalidade e não ter “rancor ou ódio no coração”, em referência ao atual momento político pelo qual o Brasil passa. Moro deu essas declarações na quarta-feira à noite,durante uma palestra aos alunos e professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no norte do Paraná, onde o magistrado se formou em 1995, no curso de direito.

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— É importante, num momento político talvez conturbado, que nós pensemos essas questões apartidariamente e com espírito de tolerância. Vários têm dito que é necesssário apaziguar o país, e eu concordo com isso, os ânimos estão inflamados, mas nós temos que tratar essas questões com racionalidade e sem rancor e ódio no coração. Mas devemos continuar sendo intolerante em relação a esses esquemas de corrupção sistêmica — declarou Moro.

Na plateia, as declarações do juiz federal, que aceitou a denúncia contra o empresário Ronan Maria Pinto, o publicitário Marcos Valério e ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, foram acompanhadas por cerca de mil pessoas, entre elas a mãe de Moro, segundo o G1.

— Quando falamos em crimes praticados pela administração pública, é necessário em especial que estas questões sejam levantadas a público — destacou o juiz, que falou durante 40 minutos.

As investigações da Lava-Jato, disse Moro, levaram à descoberta de um esquema de corrupção sistêmica.

— Eu interroguei diversas testemunhas e diversos acusados. Não foram poucos desses interrogados que se referiam ao pagamento de propina em contratos com a Petrobras como uma regra de mercado e o custo disso chegou a R$ 6 bilhões — enfatizou ao apontar que o prejuízo não é apenas financeiro, mas também moral:

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— Nesse quadro de corrupção sistêmica, o vilão não é unicamente o poder público. A corrupção envolve quem paga e quem recebe. Ambos são culpados e ambos, se provada a sua responsabilidade na forma do devido processo penal, têm que ser punidos na forma da lei. Tenho aceitado esses convites para palestras para dar mais ou menos esse recado óbvio: você quer mudar o país, você quer superar esse esquema de corrupção sistêmica, não pague propina.

Sobre quando a Operação Lava Jato, iniciada há dois anos, deve ser encerrada, o juiz disse que não é possível prever.

— A Lava Jato tem cerca de dois anos. Ela não está encerrada. E, não temos poderes premonitórios de saber o resultado final, embora se possa dizer que muito foi feito pelas instituições envolvidas.



Fonte: Globo

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