Ministro de Temer diz que não disse nada do que disse

Ápice da maior crise política do governo interino de Michel Temer até o momento, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, disse que as falas reproduzidas pela Folha de S. Paulo desta segunda-feira estão fora do contexto e negou qualquer tipo de interferência na Operação Lava Jato.
Jucá tentou isolar suas falas de qualquer ação do governo Temer e diz estar tranquilo em relação à origem de seu financiamento de campanha e se colocou à disposição da Justiça e do Ministério Público.
Se surgir algo concreto contra mim, eu responderei, e o presidente avaliará.
Jucá diz que é precipitado pedir ao presidente interino Michel Temer qualquer tipo de providência sobre a permanência dele: Não posso falar pela decisão do presidente. Jucá se disse preocupado com o mundo real, não a Operação Lava Jato. Minha função aqui é tratar da economia.
Para ele, não há motivo para tomar nenhuma decisão, que a Folha publicou frases soltas e espera que o jornal publique o texto todo para que o público possa interpretar a narrativa.
Jucá, diz ter conversado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quando encontra com eles em eventos sociais, negando qualquer tentativa de influenciar a Justiça. Não pode comprometer toda a classe política por conta daqueles que têm culpa.
Não há nenhum demérito em ser investigado; o demérito é ser condenado, disse, sobre as investigações a que é alvo.
As escutas
Jucá sugeriu em conversas gravadas de forma oculta com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em março, que uma mudança no governo federal resultaria em um pacto para estancar a sangria da operação Lava Jato, que investiga ambos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo desta segunda-feira.
Segundo a Folha, os diálogos entre Jucá e Machado aconteceram semanas antes da votação na Câmara dos Deputados que autorizou o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que foi afastada do cargo este mês e substituída interinamente pelo vice Michel Temer na Presidência.
Em um dos trechos da conversa, Jucá diz ao interlocutor: Tem que mudar o governo para estancar essa sangria, em resposta à preocupação expressada por Machado de que sua investigação na Lava Jato saísse do Supremo Tribunal Federal (STF) e fosse parar nas mãos do juiz federal do Paraná Sérgio Moro.
Aécio e Renan
Além das possíveis investidas numa espécie de força-tarefa para barrar a Operação Lava Jato, as conversas entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, fala nos possíveis danos a políticos.
Entre eles, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do PSDB, Aécio Neves. Todo mundo na bandeja para ser comido, diz Jucá.
Machado se mostra preocupado com a união entre Sérgio Moro e Rodrigo Janot, que, segundo ele, querem pegar todo mundo.
Jucá responde, então: Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura.
Fonte: Huffington Post

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