Delação de Odebrecht trava de novo porque ele não quis incriminar Lula, Pallocci e Mântega. Ele foi ameaçado com 50 anos de prisão

Jornal GGN - A delação de Marcelo Odebrecht não caminha desde maio passado porque o empreiteira se recusa a aceitar as imposições da força-tarefa da Lava Jato, diz reportagem do Estadão publicada nesta segunda (17). De acordo com o texto, são três os empecilhos à conclusão do acordo de cooperação.
O primeiro ponto é que Odebrecht não concorda em estender seu tempo de prisão. Ele reclama que outros delatores já foram soltos, mas a Lava Jato insiste em selecionar o maior empreiteiro do País como exemplo de responsabilização, e exigem uma temporada maior na prisão, de pelo menos dois anos e meio em regime fechado. A defesa pede dois anos e meio descontando o um ano e quatro meses já cumpridos.
Condenado em um primeiro processo julgado por Moro – com alvos sem foro privilegiado – a 19 anos de cadeia, Odebrecht ainda é investigado em outros processos do escândalo Petrobrás, que fará sua pena ultrapassar os 50 anos de condenação, se somadas, lembrou o Estadão.
O segundo ponto delicado na negociação diz respeito à responsabilidade de Marcelo na organização do chamado departamento de propina da Odebrecht. Para os procuradores, ela o presidente da companhia quem dava ordens diretas sobre os pagamentos efetuados com recursos desse setor. Mas Marcelo diz que o departamento funcionava mesmo sem a intervenção do presidente do grupo.
Para provar sua visão é que a Odebrecht oferece mais de 50 executivos dispostos a dizer como funcionavam os esquemas dentro da empreiteira. Mas, de acordo com o Estadão, a força-tarefa não aceita essa tese e insiste que Marcelo admita que era o maestro, nesse caso.
O terceiro entrave, de acordo com a reportagem, é que os procuradores também querem que Marcelo admite outra acusação que ele vem negando: a de que existe uma tentativa de obstruir a Lava Jato com a suposta compra informações de conversas de delegados da Lava Jato em redes sociais e dossiês – que tiveram ainda o juiz Sérgio Moro como alvo.
Na semana passada, a Folha publicou que de Marcelo foi exigida, ainda, uma delação que incrimine os ex-ministro Antonio Palocci e Guido Mantega, presos na Operação Arquivo X e Omertà, respectivamente.
A Folha também publicou que a delação de outro ex-executivo da Odebrecht, Alexandrino Alencar, está travada porque ele não quer, contrariando os procuradores, afirmar as palestras de Lula eram fictícias e que o ex-presidente recebia vantagens indevidas por favorecer a empreiteira em negócios no exterior.
Fonte: Jornal GGN

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.