Em assembleia, médicos residentes decidem processar Alckmin por não pagar reajuste

Em assembleia realizada na tarde de hoje (29), médicos residentes de hospitais do estado de São Paulo decidiram entrar com uma ação judicial coletiva contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) pelo não pagamento do reajuste de R$ 354,17 para a categoria, que deveria ser pago em março. Ao todo, 6.600 dos pelo menos 13 mil médicos residentes do estado não receberam o reajuste. Como resposta, eles iniciaram, no último dia 10, uma greve que já mobiliza pelo menos 12 hospitais estaduais.
O reajuste que deveria ser pago, equivalente a 11,91%, foi conquistado em uma greve nacional dos residentes, realizada em dezembro de 2015. Desde março todos os estados, com exceção de São Paulo, aplicaram o reajuste, elevando o valor da bolsa de R$ 2.976,26 para R$ 3.330,43. No município de São Paulo o valor também foi reajustado. Os médicos calculam que seriam necessários R$ 28 milhões para pagar os meses atrasados e garantir o reajuste a partir de dezembro.
Representantes da categoria participaram hoje de audiência pública na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, para convencer deputados a incluir o reajuste no orçamento estadual do próximo ano. Um grupo foi recebido pelo colégio de líderes da Casa. Os parlamentares se comprometeram a pressionar pela inclusão do reajuste no orçamento, que será votado em meados de dezembro. O relator, deputado João Caramez (PSDB), afirmou que “teremos uma decisão favorável a reivindicação de vocês”. “Alguns estados estão quebrados e São Paulo tem se mantido em dia com as finanças. Esses R$ 28 milhões não deixarão o estado mais pobre”, disse.
Foram convidados para a audiência de hoje o secretário estadual da Saúde, David Uip, e um representante da Casa Civil. Nenhum deles compareceu. “Faz nove meses que tentamos uma conversa com Alckmin e Uip e não conseguimos”, disse a presidenta da Associação de Médicos do Hospital das Clínicas (HC) e residente no Hospital do Câncer, Katia Regina Marchetti. “O principal responsável pelo não pagamento do reajuste é o Geraldo Alckmin”, frisou o residente em Psiquiatria do HC Rafael dos Santos.
“A greve é legítima e nós, deputados, devemos apoiá-los”, disse o deputado Carlos Neder (PT). “Se os médicos residentes são tratados com esse desprezo e descaso, toda a população também é. Todos os partidos precisam apoiar essa causa”, afirmou a deputada Leci Brandão (PCdoB).
Entre os hospitais em greve estão o HC de São Paulo e de Ribeirão Preto, o Pérola Byington, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o Hospital da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) em Botucatu, o Hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
A Associação de Médicos Residentes da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Ameru) calcula que até ontem (28) foram canceladas 100 consultas em clinica médica por semana e 270 em otorrinolaringologia. Foram reagendados 465 pacientes de oftalmologia, 150 de oncologia e 120 de medicina nuclear.
Fonte: rede brasil atual

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