Segurança

Levantamento mostra que Moro perdoou 600 anos de prisão de bandidos da Lava Jato em troca de delações sem provas; dinheiro também foi devolvido

O bandido comete o crime, faz uma delação, tem a pena reduzida, os delatados também delatam e têm as penas reduzidas e no fim ninguém fica preso

O Globo traz uma informação muito interessante para refletir sobre as distorções da aplicação da lei que permite as delações premiadas:

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Levantamento sobre os acordos de delação mostra que houve redução de até 599 anos na soma das penas (de 710 anos para 111 anos) de 32 colaboradores condenados na Operação Lava-Jato.

Se quisermos fazer uma média, dá um perdão de 18 anos, oito meses e 15 dias de prisão para cada um dos beneficiados. E, pelo que entendi, sem contar nesse total os 200 anos dos irmãos Batista et caterva, que não são “Lava Jato”.

É quase o perdão para uma condenação por homicídio.

E a grande maioria, senão todos, pega uma tornozeleira aí como a da doleira Nelma Kodama ou do lobista Fernando Baiano, dando aulas de crossfit (não tenho ideia do que isto seja) em sua mansão de R$ 14 milhões.

Igual sorte, claro, não tiveram as centenas de milhares de pessoas que perderam seus empregos, diretos e indiretos, sobretudo na construção civil, onde as obras pararam e nem tão cedo recomeçam.

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Nem se fale em “bilhões recuperados”, porque o dinheiro tirado dos ladrões não passou, como lembra Mauro Santayana, de algumas centenas de milhões: o resto foi tirado das empresas e, portanto, do trabalho alheio, de obras alheias, inclusive muitas públicas.

Mas se o Brasil perdeu muito, se os criminosos perderam pouco, promotores e advogados – para ficar por aí – ganharam muito, em projeção e pecúnia. Ou em pecúnia futura, pois que projeção a renderá.

E ficou fácil escapar às punições. Agora, basta apontar o dedo.

Fonte: Tijolaço

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