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Em primeira entrevista após sentença, Moro confirma que condenou Lula sem provas

Em sua primeira entrevista após a polêmica condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão, concedida a um grupo de jornalistas sul-americanos, o juiz Sergio Moro, que conduz a Lava Jato, sugeriu que ele foi condenado por provas indiretas, ou melhor, indiciárias.

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"Sobre a sentença do ex-presidente, tudo o que eu queria dizer já está na sentença, e não vou fazer comentários. Teoricamente, uma classificação do processo penal é a da prova direta e da prova indireta, que é a tal da prova indiciária. Para ficar num exemplo clássico: uma testemunha que viu um homicídio. É uma prova direta. Uma prova indireta é alguém que não viu o homicídio, mas viu alguém deixando o local do crime com uma arma fumegando. Ele não presenciou o fato, mas viu algo do qual se infere que a pessoa é culpada. Quando o juiz decide, avalia as provas diretas e as indiretas. Não é nada extraordinário em relação ao que acontece no cotidiano das varas criminais", disse ele (leia aqui a íntegra da entrevista).

Moro também rebateu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que apontou o "direito penal de Curitiba", ao falar sobre seus métodos. "Não há direito extraordinário. Na Lava Jato, para a interrupção do ciclo de crimes, era necessário tomar algumas medidas drásticas –entre elas, por exemplo, as prisões antes do julgamento. E as decisões têm sido, como regra, mantidas."

Na entrevista, ele lamentou uma suposta falta de compromisso da classe política brasileira com o combate à corrupção. "Lamentavelmente, eu vejo uma ausência de um discurso mais vigoroso por parte das autoridades políticas brasileiras em relação ao problema da corrupção. Fica a impressão de que essa é uma tarefa única e exclusivamente de policiais, procuradores e juízes. No Brasil, estamos mais preocupados em não retroceder, em evitar medidas legislativas que obstruam as apurações das responsabilidades, do que propriamente em proposições legislativas que diminuam a oportunidade de corrupção. Vejo no mundo político uma grande inércia."

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Embora recentemente tenha se arrependido da divulgação dos grampos da presidente legítima Dilma Rousseff, deposta pelo golpe de 2016, ele voltou a defender a divulgação das escutas. "Um efeito indireto ao dar publicidade para esses casos foi proteger as investigações contra interferências indevidas. Afinal de contas, são processos que envolvem pessoas poderosas, política e economicamente. Na prática, pode haver tentativas. Então, tornar tudo público também acaba funcionando como uma espécie de proteção contra qualquer obstrução à Justiça. E isso é muito importante. Foi seguida a Constituição. Dentro de uma democracia liberal como a nossa, é obrigatório que essas coisas sejam trazidas à luz do dia."

Fonte: Brasil247

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