Justiça condena Cabral a 45 anos de prisão, mas Moro absolveu sua esposa e devolveu o dinheiro roubado

O ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) foi condenado nesta quarta-feira (20) a 45 anos e dois meses de prisão em regime fechado pelo juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa apurados na Operação Calicute, principal desdobramento da Lava Jato no Rio.
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No mesmo processo, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo também foi condenada. Ela recebeu pena de 18 anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa, igualmente em regime fechado. Atualmente, Ancelmo cumpre prisão domiciliar.
No processo, o casal e outras 11 pessoas eram acusados pelo Ministério Público Federal de terem desviado cerca de R$ 224 milhões de contratos do governo do Estado desde 2007, quando Cabral assumiu o cargo. Apenas Pedro Ramos de Miranda foi absolvido, todos os outros foram condenados.
Somente as construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia teriam repassado R$ 30 milhões ao esquema, referentes a obras como a reforma do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e a construção do Arco Metropolitano, em troca de aditivos em contratos públicos e incentivos fiscais. De acordo com o MPF, Cabral recebia 5% do valor de contratos da Andrade. O dinheiro apontado como propina teria sido lavado em compra de joias e despesas de luxo.
Na decisão, o juiz Marcelo Brêtas afirmou que Cabral foi o "principal idealizador dos esquemas ilícitos perscrutados nestes autos".
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"Em razão da autoridade conquistada pelo apoio de vários milhões de votos que lhe foram confiados, ofereceu vantagens em troca de dinheiro. Vendeu a empresários a confiança que lhe foi depositada pelos cidadãos do Estado do Rio de Janeiro, razão pela qual a sua culpabilidade, maior do que a de um corrupto qualquer, é extrema", escreveu o magistrado em seu despacho.
Brêtas chamou a conduta criminal do ex-governador de "traição eleitoral" e afirmou que ele "frustrou os interesses da sociedade"
Fonte: Uol

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