Irmãos Marinho, donos da Globo, serão chamados a depor na Polícia Federal e podem ser presos

Os advogados dos três filhos do falecido jornalista Roberto Marinho, Irineu, João e José, ainda não receberam instruções sobre o possível interrogatório de seus clientes na Polícia Federal; “mas o processo está em andamento”, afirmou à reportagem do Correio do Brasil uma fonte na Justiça Federal, nesta quarta-feira. A família Marinho foi citada, ainda, em dois outros escândalos de corrupção. A polícia internacional (Interpol) desvenda o envolvimento destes empresários em crimes do Panamá Papers e, agora, no Paradise Papers. Ambos foram apurados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (Icij, na sigla em inglês).
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Na véspera, as Organizações Globo foram citadas por corrupção ativa pelo executivo argentino Alejandro Burzaco. Ele é delator do esquema de propina na Federação Internacional de Futebol (Fifa, na sigla em francês).
Propinas
Burzaco acusou; além da TV Globo, a Fox Sports e a Televisa por pagamento de propinas em troca de direitos de transmissão de torneios ligados à Conmebol. A acusação ocorreu na tarde passada, durante uma sessão do julgamento de cartolas sul-americanos no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, EUA. Um dos réus é o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.
Ex-executivo da empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias, Burzaco confessou ter dado propinas a Marin, entre 2012 e 2015; ao paraguaio Juan Ángel Napout, entre 2010 e 2015; e ao peruano Manuel Burga, de 2010 a 2013. O objetivo era obter favorecimento na negociação de contratos de transmissão televisiva.
Segundo afirmou o delator, grupos de mídia também pagavam subornos para obter os direitos. Ele citou ainda a TV Globo (Brasil), Fox Sports (EUA), Televisa (México); Media Pro (Espanha), Full Play (Argentina) e Traffic (Brasil).
Nota oficial
Por meio de nota, a Globo afirmou, “veementemente”, que “não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina”. E ressaltou que não é parte dos processos que correm na Justiça norte-americana.
— Qualquer coisa que os irmãos Marinho disserem, nessa fase do processo, poderá ser usada contra eles em um possível julgamento a que precisarão responder — acrescentou aquela fonte, ao CdB.
Ainda segundo a nota, “em suas amplas investigações internas, (a Globo) apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra”, afirma o comunicado.
Globo Esporte
Ainda segundo Burzaco, o diretor do Globo Esporte da época, Marcelo Campos Pinto, teria se encontrado, em 2012, com cartolas do esquema. A PF quer apurar se os irmãos Marinho comandavam o esquema. No encontro com Julio Humberto Grondona, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Alejandro Burzaco teriam acertado o repasse de $ 600 mil a Marín e Del Nero.
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Burzaco se entregou às autoridades em 2015, após a prisão de diversos cartolas da Fifa na Suíça. No julgamento, Marin é acusado de cobrar propinas em contratos de transmissão e marketing relativos à Copa do Brasil, à Copa América e à Libertadores.
O caso é julgado nos Estados Unidos porque o ex-presidente da CBF e os outros cartolas no banco dos réus teriam usado o sistema bancário norte-americano para movimentar dinheiro fruto de subornos.
Fonte: Brasil247

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