Pena fixada pelo STF para Fernando Collor é de 8 anos e 10 meses

Portal Plantão Brasil
31/5/2023 18:31

Pena fixada pelo STF para Fernando Collor é de 8 anos e 10 meses

0 0 0 0

1193 visitas - Fonte: UOL

O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) definiu hoje a pena de 8 anos e 10 meses de prisão, em regime inicial fechado, ao ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), 73, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-senador pode recorrer em liberdade.

Como foi o julgamento

-Os ministros decidiram na semana passada condenar Collor por 8 votos a 2, e hoje decidiram a dosimetria da pena;

-O plenário discutiu ao longo de todo o dia um consenso para a pena final. O relator, ministro Edson Fachin, defendeu inicialmente uma pena de 33 anos e dez meses de prisão;

-Alexandre de Moraes e Luiz Fux abriram uma ala que defendia 8 anos e 10 meses;

-André Mendonça, Nunes Marques, Dias Toffoli e Gilmar Mendes propuseram uma pena de 8 anos e 6 meses.

-Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia e a presidente do STF, Rosa Weber, formaram uma quarta ala, que defendia 15 anos e 4 meses.

Ao final, os ministros chegaram ao consenso de uma pena final de oito anos e dez meses, sendo quatro anos e quatro meses por corrupção passiva e quatro anos e seis meses por lavagem de dinheiro.

Collor também responderia pelo crime de associação criminosa, mas os ministros viram que esta acusação prescreveu.

Mesmo condenado, Collor ainda poderá apresentar recursos ao STF para questionar a sentença. A execução da pena é iniciada após a análise desses recursos. Por isso, o ex-presidente não deverá ser preso imediatamente.

Caso deriva da Operação Lava Jato

Collor foi denunciado pela PGR em 2015 sob a acusação de receber R$ 20 milhões em propinas entre 2010 e 2014 para viabilizar, por meio de indicações políticas, um contrato de troca de bandeira de postos de combustível celebrado pela BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. O caso é desdobramento da Lava Jato.

No último dia 18, o STF já tinha formado maioria pela condenação de Collor pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O julgamento do mérito foi concluído na semana passada, com um placar de 8 votos a 2.

Quem mais foi condenado

Além de Collor, foram condenados os empresários Luís Pereira Duarte de Amorim, administrador das empresas de Collor, e Pedro Paulo Bergamaschi, apontado como operador do esquema.

Pedro Paulo Bergamaschi foi condenado a quatro anos e um mês de prisão, em regime inicial semiaberto.

Luís Pereira Duarte de Amorim foi condenado a três anos de prisão, em regime aberto. A pena de prisão será convertida em medidas restritivas, como serviços à comunidade.

O que diz a defesa de Collor

Desde o início das investigações, a defesa alega que não foram produzidas provas que demonstrem que o ex-presidente recebeu os valores da propina e que as acusações se baseiam em delações.

"Em nenhum desses conjuntos de fatos, o Ministério Público fez provas suficientes ou capazes de gerar a mínima certeza com relação à culpabilidade", afirmou o advogado Marcelo Bessa, na abertura do julgamento.

"Atuação sorrateira", afirmou relator

Em voto de mais de 200 páginas, Fachin citou uma "atuação sorrateira" de Collor no esquema, apontando que o ex-presidente, como senador, desviou de suas atividades parlamentar para "a articulação de negociações espúrias".

O que se extrai do caso em análise é o absoluto desrespeito aos princípios de observância obrigatória pelos exercentes de função pública, sobre os quais não lhes foi outorgado qualquer limite transacional"Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF

O que disseram os demais ministros

Além de Fachin, votaram para condenar Collor os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Rosa Weber. Gilmar Mendes e Nunes Marques foram dois votos pela absolvição.

Entendo configurado no caso concreto o efetivo tráfico da função pública pelo senador Fernando Collor de Mello uma vez que se utilizou de seus apadrinhados políticos para em troca do recebimento de vantagem indevida, direcionar fraudulentamente procedimentos licitatórios"Rosa Weber, presidente do STF

Decano do STF, Gilmar Mendes foi o segundo voto para absolver Collor — para ele, as provas apresentadas não comprovaram as acusações. O ministro criticou duramente a Lava Jato, disse que prisões preventivas foram usadas para obter delações "muitas vezes dirigidas" e que a atuação da força-tarefa de Curitiba foi o "maior escândalo de corrupção no Judiciário que se tem notícia".

As declarações de [doleiro] Alberto Youssef demandam um olhar crítico do Poder Judiciário, um escrutínio severo, severíssimo"

Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net



APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!

Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.



O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.


Últimas notícias

Notícias do Flamengo Notícias do Corinthians