1052 visitas - Fonte: Blog do Esmael
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), munido de uma lupa, está determinado a descobrir por que a Lava Jato ordenou a destruição de provas fornecidas pela Odebrecht.
O período em que o juiz Luiz Antonio Bonat atuou como sucessor de Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba está agora sob investigação do Conselho, após assumir o caso na última segunda-feira (31/5).
Os esqueletos já estão saindo dos armários.
Em 2022, o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, com autorização do juiz Bonat, destruiu oito discos rígidos contendo cópias do sistema de propina da Odebrecht.
A ordem judicial de Luiz Bonat para destruir com uma furadeira os oito discos rígidos que continham provas materiais (contraprovas) do sistema Drousys de contabilidade paralela da Odebrecht foi registrada nos autos do acordo de leniência da empresa.
O Blog do Esmael teve acesso a laudos assinados por dois técnicos do MPU (Minstério Público da União), que confirmam a destruição dos discos rígidos.
A Odebrecht possuía dois sistemas, chamados de “MyWebDay” e “Drousys”, no chamado “setor de operações estruturadas”, onde eram registrados os subornos políticos. O sistema passou pelas mãos da Lava Jato antes de ser formalmente entregue. Havia suspeitas de que havia sido manipulado pelos procuradores.
Em maio de 2022, no entanto, o MPF do Paraná, com aval do juiz Luiz Antonio Bonat, destruiu oito discos rígidos com cópias do sistema. Bonat alegou que, anteriormente, havia feito a cópia dos discos em um local seguro, garantindo a chamada “cadeia de custódia”.
De acordo com o Código de Processo Penal (CPP), “cadeia de custódia” é o conjunto de procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica de uma evidência coletada em locais ou em vítimas de crimes, rastreando sua posse e manuseio desde o momento de sua coleta até sua eliminação.
Ao contrário de Sergio Moro, Bonat é considerado um juiz mais diligente. No entanto, é imperativo que as autoridades federais – seja a Polícia Federal ou a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça – verifiquem se houve de fato o backup correto dos discos rígidos, sem evidências de conteúdo deletado.
Em seu último ato antes da aposentadoria, o ministro Ricardo Lewandowski já havia denunciado a manipulação dos dois sistemas e descartado seu uso como prova. No entanto, a preservação desses sistemas é fundamental para verificar se houve manipulação.
Se for comprovada qualquer adulteração, trata-se de um grave crime de destruição de provas. É exatamente isso que o CNJ está investigando.
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