128 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta segunda-feira (2) com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, embaixador Celso Amorim, para avaliar a escalada dos conflitos no Oriente Médio e os possíveis desdobramentos para a diplomacia brasileira. No diálogo, foram analisadas alternativas de atuação do Itamaraty e reiterada a posição histórica do Brasil em favor de uma solução negociada para reduzir as tensões na região. As informações são do G1. Amorim e Lula examinaram iniciativas diplomáticas que podem ser adotadas pelo governo brasileiro diante do agravamento da crise, em meio ao envolvimento direto dos Estados Unidos nos ataques ao Irã que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei.
Durante a conversa, Celso Amorim recordou ao presidente os esforços conduzidos pelo Brasil em 2010, quando, ao lado da Turquia, participou da construção da chamada Declaração de Teerã. A proposta buscava diminuir a tensão internacional em torno do programa nuclear iraniano. À época, o entendimento previa que o Irã transferisse parte de seu urânio enriquecido para a Turquia, onde o material permaneceria sob custódia internacional, em troca de combustível nuclear destinado a um reator voltado a pesquisas médicas. A iniciativa tinha como objetivo evitar a imposição de novas sanções e abrir caminho para negociações diplomáticas. Apesar de ter recebido repercussão internacional positiva, o acordo acabou rejeitado pelos Estados Unidos e não avançou, num episódio que marcou a histórica resistência norte-americana a soluções negociadas que não partam de sua exclusiva hegemonia.
Paralelamente à articulação política, o governo brasileiro monitora os impactos imediatos da escalada militar, incluindo reflexos diplomáticos e logísticos. Também nesta segunda-feira (2), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve conversa telefônica com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan. De acordo com o Itamaraty, os dois trataram da evolução da guerra no Oriente Médio e do fechamento do espaço aéreo em diversos pontos da região. Entre as principais preocupações apresentadas pelo Brasil está a situação de cidadãos brasileiros que se encontram nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi, diante das restrições de voos impostas pelas autoridades locais. O governo acompanha ainda a comunidade de cerca de 200 brasileiros residentes no Irã, mantendo contato permanente com a embaixada em Teerã.
O contexto de tensão também pode repercutir na agenda diplomática prevista para março. O governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos organizam uma visita de Estado de Lula a Washington nas próximas semanas. Com o aumento dos confrontos e o envolvimento direto dos Estados Unidos no cenário de guerra, o Ministério das Relações Exteriores não descarta eventuais mudanças na programação do encontro entre o presidente brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a depender da evolução dos acontecimentos no Oriente Médio. A avaliação no Planalto é que o Brasil manterá sua tradição de defesa da paz e do multilateralismo, ainda que isso signifique contrariar os interesses imediatos da potência norte-americana na região.
Com informações do g1
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.